Dizem que o voto é secreto,
mas o silêncio pesa.
Dizem que ninguém é dono dos votos,
mas há mãos invisíveis
que apontam direcções.
O voto nasce íntimo,
entre a consciência e o medo,
mas morre aos gritos
nas redes, nos palcos,
nos discursos que se vestem de verdade.
Há quem exiba o voto
como troféu ou bandeira,
não por convicção,
mas por influência.
Segue-se o eco,
repete-se a frase pronta,
herda-se a opinião
como quem herda um apelido.
O medo da mudança
disfarça-se de tradição,
a incoerência ideológica
chama-se estratégia.
E assim,
o voto que devia ser livre
aprende a andar em fila.
Entre o que se pensa
e o que se repete,
perde-se a coragem
de escolher sozinho.
Porque votar devia ser
um acto de liberdade -
não um reflexo condicionado.
(mcm)
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