Esta nova forma de protestar, com a ocupação de espaços públicos com tendas para pernoitar e, de certa forma alterar a ordem pública nocturna, não colhe a minha simpatia e também não é do agrado da maioria do povo português.
Dizem os organizadores que as assembleias populares obedecem a uma organização horizontal, sem hierarquias, onde há espaço para discursos sem limites à liberdade de expressão e onde as propostas são votadas de braço no ar.
Ora, não havendo hierarquias nestas assembleias populares, reina a confusão e a anarquia e tudo quanto é proposto e aprovado, legalmente, não tem qualquer valor e não leva a qualquer solução.
O problema da habitação em Portugal, é realmente grave e necessita de ser colocado na primeira linha das preocupações dos governantes, porque são eles e só eles que têm o poder de agilizar e impulsionar o processo de construção de novas habitações.
Estes manifestantes escolheram a forma errada de reivindicar mais e melhor habitação. Não é com acampadas ilegais, assembleias populares, grafitar os monumentos e gritar palavras de ordem que ofendem os governantes e as forças de segurança que vão contribuir para a resolução do problema.
Como português e patriota, reconheço a gravidade do problema e concordaria com manifestações ordeiras e civilizadas até à Assembbleia da República, onde está instalado o poder legislativo, suportado por todo o especto partidário, cujos deputados, eleitos democraticamente, representam verdadeiramente o povo. Por isso, as manifestações, ordeiras e civilizadas deviam ser dirigidas ao governo e ao poder legislativo.
Há uma outra forte razão para eu detestar estas assembleias populares, porque me trazem à lembbrança os tenebrosos tempos do PREC (Período Revolucionário em Curso), em que o poder popular, com forte influência da esquerda e da extrema esquerda, se serviu dessas assembleias populares para roubar, ocupar, espezinhar e humilhar e até matar. A minha família foi vítima dessa turba do poder popular, com a invasão da sua propriedade e retirada de lá à força, com agressões e ameaças de morte.
Passados 52 anos após essa data, repetir aquilo que então se passou e que merece todo o meu repúdio e condenação, não me parece que a realização destas anárquicas assembleias populares sejam adequadas aos tempos que vivemos e que, tendo em conta o que se passa na Europa, podem servir de rastilho para actos violentos que ponham em causa o património público e privado e causar prejuízos que só uma cuidada prevenção poderá evitar.
Assembleias populares não! Os encapuzados estão por aí à espreita de uma oportunidade para entrar em cena e fazer aquilo que foi feito em França, Itália e noutros países da Europa. Apelo a quem de direito para que não dêem espaço a essa gente criminosa para arrombar, saquear e incendiar e colocar as forças da ordem em sitações difíceis relativamente à sua actuação perante a provocação e confronto dos agitadores.









