Com a idade aprendi a não ter pressa,
a deixar que o tempo siga o
seu caminho,
sem querer atalhar-lhe a corrente,
sem exigir
que caminhe mais depressa
só porque eu quero chegar mais cedo.
Aprendi
que os dias têm vinte e quatro horas,
que a semana sete dias há-de ter,
que o mês trinta ou trinta e um encerra,
e o ano
trezentos e sessenta e cinco
sem que a pressa os possa fazer
correr.
Por
isso hoje caminho devagar,
e em cada passo encontro uma
razão;
já não corro atrás do tempo,
nem deixo que a
pressa me roube
o prazer de viver cada momento.
Agora
faço cada coisa a seu tempo,
sem relógio a comandar o meu
viver;
se algo merece tempo, dou-lhe tempo,
porque aprendi,
talvez um pouco tarde,
que viver também é saber permanecer.
O
tempo das correrias já passou,
já não é esse o tempo que é
o meu;
agora quero saborear os dias,
encontrar pequenas
alegrias
nas coisas simples que a vida me deu.
Quero
fazer aquilo de que gosto,
aquilo que me traga satisfação,
sem
a ansiedade de chegar primeiro,
pois descobri que, muitas
vezes,
chegar em paz vale mais que chegar na dianteira.
E
a idade, sem pedir licença,
foi mudando a forma de eu
olhar:
hoje compreendo melhor as fragilidades
de quem, como
eu, procura caminhar
num mundo onde ninguém é perfeito.
Por
isso, tantas revoltas se calaram,
tantas mágoas perderam o
sentido;
o que ontem parecia imperdoável
hoje encontro
forças para perdoar,
e até o que doeu ficou mais esquecido.
Estou
mais atento à dor dos outros,
mais disponível para
compreender,
porque aprendi que cada ser humano
carrega uma
história que não vemos
e batalhas que ninguém sabe conhecer.
Talvez
seja esta a lição da idade:
não nos tornar melhores que
ninguém,
mas fazer-nos olhar com mais ternura
para a
fraqueza de quem sofre
e para a nossa própria fraqueza também.
A
velhice mudou o meu olhar
sobre as pessoas, a vida e o mundo;
e
se o tempo me roubou alguma coisa,
deu-me em troca uma
serenidade
que hoje guardo bem fundo.
Já
não quero vencer o tempo,
nem obrigá-lo a parar ou
acelerar;
quero apenas viver cada dia
com a calma de quem
finalmente aprendeu
que há tempo para tudo…
e que viver
é, sobretudo, saber
esperar.
Hoje
caminho sem pressa,
sem medo de chegar depois.
Porque
descobri, ao longo da vida,
que quando deixamos de correr atrás
do tempo,
começamos finalmente
a ter tempo para nós.
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