Amanhã celebrarei mais um aniversário. Completarei 77 anos.
À medida que a idade avança, os anos parecem correr cada vez mais depressa. O tempo, que na juventude parecia caminhar devagar, transforma-se num veloz companheiro de viagem. Mal termina um aniversário, já outro bate à porta.
Chegar aos 77 anos é, para mim, um privilégio que recebo com enorme gratidão. Sei que muitas pessoas não tiveram a felicidade de alcançar esta idade e, por isso, cada novo ano vivido representa uma bênção que merece ser celebrada.
Mas, acima de tudo, o que me faz verdadeiramente feliz não é o número de anos que somo. É a forma como tenho o privilégio de os viver.
A minha maior alegria é poder reunir à minha volta a minha esposa Ana, companheira de uma vida inteira, os meus filhos Marco e Sónia, o meu genro Fernando, a minha nora Inês e os meus quatro netos: a Sofia, a Diana, o Francisco e o Zé Pedro.
Ao vê-los crescer e ao sentir o carinho que existe entre nós, não consigo deixar de pensar na minha própria infância. Não cheguei a conhecer uma das minhas avós e os restantes avós partiram demasiado cedo, quando eu ainda era criança. Talvez por isso valorize tanto o privilégio de poder acompanhar o crescimento dos meus netos, conversar com eles, brincar, aconselhá-los e oferecer-lhes o mais importante de tudo: o meu tempo e o meu amor.
Amanhã iremos jantar todos juntos no restaurante HAO HUA. Depois regressaremos a casa para cantar os parabéns, partilhar o bolo de aniversário e brindar à saúde de todos.
Na verdade, o jantar será apenas um pretexto.
O que realmente importa é estarmos juntos. São os abraços, os beijos, as conversas, as gargalhadas e aqueles pequenos momentos que, aparentemente simples, acabam por se transformar nas mais belas recordações da vida.
Ao longo dos anos aprendi que a felicidade raramente se encontra nas grandes conquistas materiais. Encontra-se muito mais facilmente numa mesa rodeada pelas pessoas que amamos, num abraço sincero ou num olhar cheio de carinho.
Se hoje me perguntassem qual foi a maior riqueza que consegui conquistar durante a minha vida, responderia sem hesitar:
A minha Família.
É nela que encontro a força para continuar, a serenidade para enfrentar os dias mais difíceis e a alegria para celebrar os mais felizes.
Enquanto Deus me conceder o privilégio de continuar por cá, procurarei aproveitar cada instante ao lado daqueles que amo. Porque os anos passam depressa, mas o amor que semeamos na nossa Família permanece muito para além do tempo.
E é por isso que continuo a afirmar, com toda a convicção:
A Família é, e será sempre, a maior riqueza terrena.
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