Eles, os velhos Sem/Abrigo de hoje, também já foram jovens activos, cheios de entusiasmo, ambição e com enorme esperança no futuro; a maioria constituiu família e trabalhou arduamente, enquanto pôde, para a sustentar e contribuir com o seu trabalho para o progresso do País.
Infelizmente, muitos não conseguiram nessa vida de trabalho, amealhar o suficiente para garantirem uma velhice digna, acabando por ser abandonados pelo Estado e, em muitos casos, pelos próprios familiares, não lhes restando outra alternativa senão passar à condição de SEM/ABRIGO, mendigando diariamente para conseguir matar a fome e sujeitando-se a dormir no espaço público sem quaisquer condições de conforto e higiene.
Esta situação é de uma tão cruel desumanidade que toca profundamente a minha sensibilidade e, por vezes, ao ver esses quadros tão tristes e chocantes, não consigo evitar que algumas lágrimas se soltem e me façam pensar: Senhor, quanta desumanidade e ingratidão para com os velhos!
Sim, como é possível que o Estado e a sociedade em geral permitam que pessoas velhas que trabalharam arduamente enquanto puderam, mas para quem a vida foi madrasta, sejam obrigadas a terminar os seus dias na condição de SEM/ABRIGO, sofrendo diariamente vissicitudes inenarráveis.
Esta situação é revoltante e não devia acontecer num País que se diz cristão, democrata e civilizado.
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