Neste percurso eleitoral, o actual Presidente da República, para além de André Ventura, superou o candidato apoiado pelo partido do Governo, Marques Mendes, o candidato apoiado pela IL, Cotrim de Figueiredo e ainda o Almirante Gouveia e Melo que muita gente apontava como o próximo Presidente, em parte devido ao excelente trabalho que realizou aquando da pandemia, na organização da vacinação.
No que diz respeito ao Almirante, o fraco resultado eleitoral tem muito a ver com a sua inexperiência política mas também com alguns erros crassos que cometeu, nomeadamente na escolha do seu mandatário, Rui Rio e em algumas figuras que escolheu para a sua Comissão de Honra, como Isaltino Morais. Gouveia e Melo, sendo alguém independente, devia ter-se rodeado de personalidades sem ligação à política e não o fez, sendo penalizado por isso. Também jogou contra ele o facto de ter apontado linhas vermelhas ao Chega, porque tal atitude fez com que o partido lhe retirasse o apoio e decidisse apresentar um candidato e, dessa forma, lá se foram os 15 ou 20 por cento de votos que teria dos eleitores do Chega.
Mas o facto de a Direita não se ter unido na eleição de um candidato de direita, foi a melhor coisa que podia ter acontecido para que António José Seguro pudesse ter chances de ser eleito e, nesse aspecto, bem pode agradecer a essa direita desorganizada e desavinda que em vez de combater os adversários, se guerreia entre si, não sendo capaz de aproveitar a hegemonia política que alcançou nas últimas eleições legislativas e que a continuar assim, provavelmente a perderá em próximo acto eleitoral.
E, assim, António José Seguro que no início da pré-campanha nem sequer tinha o apoio declarado do Partido Socialista, acabou por conquistar o voto de todas as forças políticas, com excepção do Chega, que apostou no seu candidato de princípio ao fim, com uma votação na segunda volta superior à da primeira em 10 pontos percentuais (33,17%).
Para já, a certeza maior, é que Seguro vai ser um Presidente diferente de Marcelo. Ficam para trás as selfies, os abraços, os beijinhos, o falar por tudo e por nada e, pelos vistos, também a sua actuação, tendo em conta as declarações que já fez, nomeadamente quando declarou que "o chumbo do Orçamento de Estado (OE) não implica automaticamente a dissolução da Assembleia da República", um entendimento contrário ao do Presidente cessante.
Pela nossa parte, desejamos-lhe um mandato que seja bom para Portugal e para os portugueses, com a isenção que difundiu ao longo de toda a campanha.


