terça-feira, 28 de abril de 2015

A PERVERSIDADE DAS GREVES DOS TRANSPORTES


Há greve parcial do metro amanhã
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Hoje de manhã, entre as 7,30 e as 11,00 horas, na companhia da minha cara-metade, fui fazer uma caminhada pela Alta de Lisboa, Alvalade, Campo Grande e Lumiar e verifiquei que o trânsito estava um caos no Eixo Central, rua das Murtas, Av. Brasil e na Zona do Campo Grande. Imagino que o mesmo tenha acontecido noutras áreas de Lisboa, afectadas também pela greve parcial no Metro que desde o início do ano já vai na 4ª paralisação.
 
Durante a caminhada, apercebi-me que estavam imensas pessoas nas paragens  à espera de transporte alternativo mas os autocarros chegavam cheios e as pessoas não podiam entrar. Por outro lado, vi também um número inabitual de pessoas a pé que procuravam chegar aos seus locais de trabalho pelos seus próprios meios.
 
Ao olhar para este quadro injusto e desumano de filas enormes de carros a passo de caranguejo, gente a pé, de táxi, amontoada nas paragens ou enlatada como sardinha nos insuficientes autocarros que circulavam, não pude deixar de pensar que as greves dos transportes são contraproducentes, uma vez que apenas dificultam e prejudicam a vida das classes trabalhadoras mais mal remuneradas, privando-as de um serviço que a grande maioria já pagou, nalguns casos com grande sacrifício e que nestas circunstâncias, em dias de greve, se vêem espoliados de um direito previamente adquirido.
 
O direito à greve está consagrado na Constituição mas esta também defende os direitos dos cidadãos. No caso da greve dos transportes, os direitos de milhares de utentes são postos em causa, afectando-os psicológica e materialmente e não me parece justo que uma qualquer comissão de trabalhadores decida fechar as portas do Metro, da Carris ou da TAP, provocando um prejuízo e um desconforto tão grande a tantas pessoas.

Todas as greves que não atinjam directamente os responsáveis e lhes causem dano, são iníquas e contraproducentes porque geram resultados contrários aos pretendidos pelas estruturas sindicais ou seja, não atingem o patronato mas sim as classes trabalhadores em geral.

Os contenciosos resolvem-se com bom senso e diálogo. Constatar que uma estrutura sindical tem poderes para paralisar o Metro de Lisboa que é pertença de todos os seus habitantes, é algo que a Constituição não devia permitir. E o mesmo relativamente à Carris e à TAP. A população não pode estar à mercê das decisões de um conjunto de estruturas sindicais que representam um universo de pessoas infinitamente menor àquele que é afectado com as suas decisões.

Concordo que se proteste e se reivindique mas não à custa dos sacrifícios da população em geral que nada tem a ver com os processos reivindicativos dos trabalhadores dessas empresas. Estaria de acordo que as estruturas sindicais dos transportes aéreos, marítimos e terrestres decidissem não cobrar bilhetes, por exemplo. No caso da polícia, não aplicar multas. No caso dos Museus, permitir entradas gratuitas, etc. Concordaria que as estruturas sindicais tomassem iniciativas que tivessem em conta os interesses e o bem-estar dos cidadãos e não o contrário.

Durante cerca de 38 anos ao serviço do Estado, embora tenha sido convidado por diversas vezes, rejeitei sempre a condição de sindicalista. Nos meus Serviços havia delegados sindicais afectos ao PSD, PS, CDS e PCP, os quais eram convocados com frequência para reuniões e plenários. Era uma bagunçada que prejudicava a Instituição onde trabalhavam e sobrecarregava os colegas que tinham que executar as tarefas que lhes estavam atribuídas. Paradoxalmente, quando foi necessário resolver o estatuto de enquadramento profissional dos trabalhadores da Direcção-Geral onde eles próprios trabalhavam, foi necessário constituir uma comissão sem delegados sindicais  para resolver o problema, da qual eu próprio fiz parte, porque o sindicato já tinha aceite uma proposta que era lesiva dos interesses dos trabalhadores. Essa comissão foi capaz de resolver, através do diálogo, prestando todos os esclarecimentos necessários e dissipando todas as dúvidas,  aquilo que o sindicato não foi capaz de conseguir com várias greves.

Há imensa gente neste País que não tem qualquer tipo de escrúpulos em construir o seu bem-estar à custa do sacrifício dos outros. 


 
 

segunda-feira, 27 de abril de 2015

LUISÃO - GRANDE CAPITÃO BENFIQUISTA E GRANDE EXEMPLO COMO ATLETA

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ÂNDERSON LUIS DA SILVA (LUISÃO), actualmente com 34 anos de idade, ingressou no Sport Lisboa e Benfica no final da época 2002/2003, contando actualmente ao serviço dos encarnados 12 épocas consecutivas como jogador e 8 como capitão, tendo disputado mais de 400 jogos oficiais, 329 dos quais com a braçadeira de capitão.
 
LUISÃO tornou-se num dos maiores atletas de todos os tempos, ainda no activo, ao serviço do Sport Lisboa e Benfica e o seu contributo foi decisivo na construção dos bons resultados da equipa a nível interno e internacional.
 
Durante todos estes anos, não obstante as muitas propostas vantajosas para se transferir que chegaram de muitos clubes europeus, Luisão nunca fez questão de deixar o Benfica, o seu Clube do coração, procurando sempre um entendimento amigável com a Direcção do Clube.
 
Nestes 12 anos, bateu todos os recordes de longevidade e número de jogos disputados e é com todo o mérito que fica na história do Glorioso como um dos melhores centrais de sempre e que na qualidade de líder e capitão da equipa, soube encarnar na perfeição a mística benfiquista e soube transmiti-la aos jogadores que todas as épocas chegavam ao Clube, fazendo-lhes compreender a enorme responsabilidade que representava envergar a camisola do maior Clube português e um dos melhores do mundo.
 
LUISÃO já conquistou por direito próprio um lugar de destaque na invejável história desportiva do Benfica, pelo que a sua ligação ao Clube deve continuar depois de terminar a sua carreira como futebolista. A sua entrega e dedicação ao Clube foi tão intensa que deve merecer da parte dos dirigentes esse convite para continuar a colaborar, se possível, fazendo parte das equipas técnicas ou então, caso não seja agora oportuno, noutra área onde possa ser mais útil, caso seja essa também a sua vontade.
 
Os benfiquistas aprovariam com entusiasmo esta ideia.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

PARTIDO SOCIALISTA TEM DÍVIDAS DE 11 MILHÕES DE EUROS!!!

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Depois do tempo das vacas gordas, coincidente com o período da governação socrática, eis que chegou a penúria aos cofres socialistas que, pelos vistos, não têm dinheiro para pagar a água e a luz eléctrica e muito menos para pagar as extravagâncias da multidão de figurantes que vivem encostados e à sombra do partido.
 
A comunicação social transmitiu a notícia: o Partido Socialista acumulou uma dívida de 11 milhões de euros!!! 11 milhões de euros!!! É muita dívida para o maior partido político português, o qual, sendo uma força política da área governativa, tem maiores responsabilidades perante os portugueses e consequentemente, não devia ser protagonista de tão péssimos exemplos.

E, já agora, qual foi a instituição ou instituições bancárias que emprestaram essas avultadas somas ao Partido Socialista? Também foi o BES? Então um devedor não honra os seus compromissos, amortizando e pagando os juros da dívida contraída e o Banco continua a financiar essa entidade? Com este tipo de gestão, não admira que a Banca tenha desbaratado milhares de milhões de euros, contribuindo também, decisivamente, para o empobrecimento dos portugueses.

Mas há uma pergunta que gostaria de fazer: teria o partido socialista em mente, quando contraiu os empréstimos, honrar os seus compromissos e saldar essa dívida? Essa é a dúvida que me assiste e que provavelmente ninguém me vai esclarecer.
 
São estes iluminados estrategas que endividaram o País à custa de decisões erradas e ruinosas e que nem sequer conseguem arrumar a sua própria casa que agora, com todo o desplante vêm prometer aos portugueses um futuro risonho que antes lhe roubaram e anunciar uma série de benesses sociais para eliminar a pobreza!!!

As benesses do partido socialista já todos os portugueses as conhecem porque sofreram na pele um preço demasiado alto para repor esses desmandos. Estiveram no poder entre 2005 e 2011 e o resultado foi aquele que todos conhecem: um governo liderado por um indivíduo megalómano, autoritário e petulante, constantemente metido em complicadas trapalhadas, agora a ser objecto de rigorosa investigação, enquanto aguarda em prisão preventiva o desfecho da intrincada investigação do Ministério Público para apuramento dos factos que poderão culpá-lo e levá-lo a julgamento ou então ilibá-lo das acusações que sobre ele recaem e devolvê-lo à liberdade.

Constatei também que o partido socialista pede uma maioria absoluta nas próximas eleições legislativas para poder concretizar o seu programa de governo que ainda ninguém conhece. Se os portugueses tiverem consciência de quanto foi ruinosa para o País a maioria socrática, esse desígnio jamais será alcançado. Tiveram oportunidade de acabar com a pobreza, com o desemprego, com o caos na saúde e na educação e em tantos outros sectores problemáticos da vida pública portuguesa e o que é que fizeram? Projectos e mais projectos megalómanos, alguns dos quais nem sequer passaram do papel mas custaram milhões. Criticaram a política de betão de Cavaco Silva e fizeram muito pior do que ele porque realizaram e pretendiam realizar infraestruturas viárias que não faziam falta nenhuma e que apenas envolviam interesses e benesses para os amigos.

O Partido socialista hipotecou a sua credibilidade perante os portugueses e não vai ser agora um ex-ministro do governo de Sócrates que a vai recuperar, uma vez que pretende adoptar as mesmas políticas e tem a mesma visão sobre os verdadeiros problemas do País.

O Partido Socialista precisa tanto de chegar ao governo como um pedinte esfomeado precisa de pão para a boca. Caso não ganhe as próximas eleições legislativas, o PS pode ficar reduzido a uma força política sem expressão, tal como aconteceu por essa Europa fora, em especial em França e na Grécia. Afinal, é na situação de partido do poder que se consegue engordar os cofres, à custa de mil e uma manigâncias reprováveis e criminosas, favorecendo amigos e conhecidos e recebendo em troca o vil metal que dá para pagar a água, o gás, a electricidade e as mordomias da multidão de figurantes que vivem encostados e à sombra do partido.

Li também uma notícia que informava da possibilidade do PS poder alienar ou hipotecar as sedes concelhias para fazer face aos problemas de tesouraria. Gostava de saber se o património que pretende vender foi comprado pelo Partido Socialista porque eu sei como foi conseguido o património urbano das principais forças políticas portuguesas. Pena que a cada português não seja permitido fazer o mesmo.

Última questão: Depois do descalabro governativo da era socrática, da inimaginável comédia que foi a deposição e o linchamento do anterior secretário-geral, o único socialista que teve coragem para criticar o governo de Sócrates e presentemente, a actuação do secretário-geral que pretende seguir as mesmas pisadas do ex-primeiro ministro, está rodeado dos mesmos figurantes e critica duramente o actual governo que tem o mérito de ter evitado que Portugal caísse na bancarrota, este partido socialista merece chegar ao poder?

A resposta vai ser dada pelos portugueses nas próximas eleições legislativas. Aguardemos.
 

terça-feira, 21 de abril de 2015

6-1 - MUITO BAYERN E MUITO POUCO PORTO!


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Nem nas minhas piores cogitações e expectativas imaginei um resultado tão desnivelado no jogo da 2ª mão entre o Bayern de Munique e o Futebol Clube do Porto.
 
O resultado de 6-1, com 5-0 no final da 1ª parte, constitui uma derrota pesada que a maioria dos portugueses não esperava, tendo em conta o resultado da 1ª mão (3-1) e, acima de tudo, porque o Futebol Clube do Porto tem uma excelente equipa e vinha fazendo uma óptima campanha na Champions.
 
Porém, a realidade que observei hoje no jogo disputado no Arena de Munique foi de um F. C. Porto impotente e incapaz de contrariar a equipa alemã que foi completamente esmagado durante os primeiros 45 minutos. Sofreu 5 golos mas os alemães podiam ter marcado mais alguns, tantas foram as ocasiões de golo iminente.
 
A equipa do F. C. Porto não teve capacidade para acompanhar a velocidade imposta pelos jogadores do Bayern, não conseguiram fazer pressing e demonstraram uma grande dificuldade em ganhar a posse da bola, trocá-la entre si e organizar jogadas de ataque. O Porto que eu conheço não existiu durante toda a primeira parte e, nesse sentido, foi uma grande desilusão.
 
Não sou treinador nem gosto de emitir opiniões técnicas ou tácticas sobre os jogos mas quer-me parecer que Julen Lopetegui não adoptou a táctica adequada para enfrentar o grande Bayern de Munique no seu estádio, depois de perder os laterais Danilo e Alexander por acumulação de amarelos e ao colocar em campo, contra todas as previsões, Reyes em vez de Ricardo que se revelou um autêntico buraco na defesa.
 
Sou de opinião que um F. C. Porto bem preparado tacticamente para defrontar o Bayern de Munique faria um jogo mais conseguido e seria até capaz de discutir a eliminatória, em função do bom resultado da 1ª volta.
 
Na segunda parte, a equipa portuguesa esteve melhor e até equilibrou a partida, muito provavelmente porque os adversários baixaram a intensidade do jogo. Marcou um golo aos 73 minutos e esteve muito perto de marcar o segundo, pondo em sentido os alemães. Porém, o Porto não marcou e os alemães acabaram por sentenciar o jogo marcando o 6º golo aos 88 minutos.
 
O Porto não terminou da melhor maneira a sua participação na Champions. Esta goleada pode deixar marcas profundas que o podem afectar nos jogos que ainda faltam disputar para o Campeonato Nacional de Futebol. O próximo embate é já no domingo contra o eterno rival, o Benfica e se não recuperar física e animicamente, pode sofrer novo desaire e dizer adeus definitivamente ao Campeonato Nacional, único título que ainda pode ganhar.
 
Vamos esperar que seja um grande jogo, que não haja erros grosseiros da equipa de arbitragem e que ganhe o melhor.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

À 1ª TODOS CAEM, À 2ª CAI QUEM QUER E À 3ª QUEM É BURRO OU VERGONHA NÃO TIVER!

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Por vezes indignamo-nos com as decisões emanadas da vontade do povo, especialmente quando elas não correspondem à nossa maneira de pensar.
 
Na verdade, são poucas as vezes em que o povo é chamado a decidir, isso só acontece, de quatro em quatro anos, nas eleições autárquicas, legislativas presidenciais e europeias e só muito raramente em matéria de referendos, porque o povo não é consultado para  dar a sua opinião em decisões importantes para o País.

Muitas vezes, o povo não toma as melhores decisões porque o seu voto está muito condicionado pela influência dos partidos, os quais dominam, a seu bel-prazer, as instituições políticas, económicas, judiciais e sociais do País e que, por isso mesmo, captam a simpatia e a adesão dos cidadãos, em maior ou menor número, consoante o seu grau de grandeza.

As decisões do povo seriam muito mais acertadas se tomadas com independência, afastado das ideologias partidárias, as quais defendem em primeiro lugar os seus próprios interesses e só depois os do povo e do País.

Quem aderiu aos partidos, não vai contra as suas decisões, mesmo que elas sejam contra os interesses do País e dos cidadãos. É um comportamento cúmplice e doentio que os impede de apoiar boas iniciativas oriundas de outras forças partidárias, apenas porque é essa a orientação do seu partido.

Quem sofre as consequências de tudo isto é o País e em última instância o próprio povo, o que quer dizer que muitas das coisas más que lhe acontecem, são da sua própria responsabilidade, porque em determinados momentos em que foi chamado a intervir, não tomou as melhores decisões, precisamente porque "hipotecou" a sua independência a uma qualquer força partidária.

Hoje, não há cidadãos independentes, homens de corpo inteiro, com carácter de aço de antes partir que torcer, capazes de aprovar decisões quando elas são boas e denunciá-las quando efectivamente são más, independentemente de elas serem tomadas pelos políticos e governantes que apoiamos ou não.

O lema "dividir para reinar" existe desde os primórdios da humanidade e mantém-se até aos nossos dias. Os partidos encarnam na perfeição esse lema, os quais, na verdade, não fazem outra coisa que não seja dividir, atacando constantemente os adversários e usando todas as técnicas de manipulação ao seu alcance, sempre na tentativa de conquistar a maior fatia dessa divisão.

O povo vai no seu engodo, pensando que as palavras vão ter correspondência nos actos  e depois sofre profundas desilusões e terríveis consequências.

Diz o povo, com alguma sabedoria, que à primeira toda a gente cai, à segunda cai quem quer e à terceira..., só quem é realmente burro.

Será que o povo ainda não se cansou e indignou de ser tantas vezes enganado, ao longo de quatro décadas, pelos diferentes partidos? Se o ditado tivesse alguma correspondência com a realidade partidária, por esta altura já não existiriam forças políticas ou então, existindo, é porque alteraram radicalmente a sua actuação e deixaram de mentir.

Recuso-me a aceitar que haja tanta gente a "cair" à terceira e até à quinquagésima... e muito menos a pensar que é pouco inteligente. Para mim, tal comportamento, é o preço a pagar por quem deixa que sejam os outros a orientar as suas decisões.

O povo tem a força necessária para "obrigar" à concretização das mudanças que mais interessam ao País e a si próprio mas desperdiça-a, deixando-se manipular, permitindo que governantes e políticos usem essa extraordinária força a seu bel-prazer e para seu próprio benefício.

Enquanto o povo não acordar, tudo vai continuar igual ou pior nas próximas décadas, séculos ou até milénios, se a humanidade a tanto resistir.




 

sexta-feira, 3 de abril de 2015

ANTÓNIO COSTA - "DERROTA NA MADEIRA NÂO TEM DIMENSÃO NACIONAL"


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O Secretário Geral do Partido Socialista, António Costa, depois do desaire eleitoral sofrido na Madeira, veio dizer que a "derrota na Madeira não tem dimensão nacional".
 
Dito desta maneira, até parece que o ex-Presidente da Câmara Municipal de Lisboa pensa que a Madeira deixou de pertencer ao território português e que não passa de uma pequena ilha perdida no Atlântico sem qualquer relevância ou influência na vida política portuguesa do continente.
 
Tivesse a coligação "MUDANÇA", constituída pelo PS/MPT/PTP/PAN alcançado uma vitória na Região Autónoma da Madeira ou, até mesmo, um resultado superior ao das anteriores eleições e António Costa teria extrapolado imediatamente os resultados para o plano nacional e a partir daí produzido um sem número de afirmações políticas oportunistas e negativas sobre a coligação que governa o País.
 
Pessoalmente, não fico admirado com a reacção de António Costa à derrota do PS na Madeira porque ainda recentemente, sobre a candidatura presidencial do socialista Henrique Neto, disse que não tinha nenhum comentário a fazer mas depois, perante a insistência dos jornalistas, lá acrescentou que soube da notícia pela rádio e que a candidatura lhe era indiferente. Embora Henrique Neto, não seja o seu candidato e possa até complicar a sua estratégia presidencial, podia ter tido para com ele uma palavra de simpatia. Então uma personalidade do PS que se candidata a Presidente da República, não lhe diz nada? É-lhe indiferente? Francamente!
 
Também lhe é indiferente a situação do ex-Secretário Geral do PS e ex-Primeiro Ministro José Sócrates? No passado foi seu incondicional apoiante e até desempenhou a função de ministro de Estado e da Administração Interna entre 2005 e 2007, no XVII governo constitucional. Quem apoiou incondicionalmente as políticas governativas da era socrática que levaram Portugal à bancarrota, não pode agora aparecer como "salvador da pátria", sacudindo a água do capote como se nunca tivesse conhecido o ex-Primeiro Ministro.
 
Todos sabemos como foi hábil a sua actuação no processo de destituição do anterior Secretário-Geral do PS, António José Seguro, este sim, um socialista que se tinha demarcado das políticas de Sócrates e que hoje estaria muito mais à vontade para lidar com a sua situação de detenção. Mas António Costa escolheu hábil e milimetricamente o momento para desferir o golpe fatal no companheiro, a quem venceu nas "directas" com uma margem confortável.

Um dos pretextos de António Costa para avançar para a liderança do partido, teve a ver com o facto de Seguro ser frouxo na oposição ao governo e não conseguir descolar nas sondagens, numa conjuntura de grande austeridade e enorme insatisfação e contestação dos portugueses. Depois, a comunicação social fez o resto, promovendo e exaltando as qualidades políticas do então Presidente da Câmara Municipal de Lisboa até à exaustão, ao mesmo tempo que criticava e desvalorizava a liderança de António José Seguro. Com a comunicação social e os notáveis do Partido do seu lado, foi fácil destronar AJS, um homem de carácter, íntegro e frontal que não foi devidamente compreendido e apoiado.
 
Mas António Costa vai ter vida difícil porque as coisas não lhe correm de feição e tem outros problemas para além da histórica derrota na Madeira: o Presidente francês François Hollande, acabou de sofrer uma tremenda derrota nas eleições departamentais, ganhas pela coligação de direita "sarkozysta" e centrista, nas quais, até o partido de extrema esquerda, liderado por Marine le Pen, ficou à sua frente. Nas próximas legislativas  não vai poder contar com o apoio do amigo francês porque caiu em desgraça e até aposto que vai evitar fazer-lhe referência no período de campanha eleitoral.

Para complicar ainda mais a vida a Costa, Portugal parece querer sair da agonia económica em que os governos de Sócrates deixaram o País, retomando o crescimento e reconquistando aos poucos a normalidade e a confiança dos portugueses, os quais começam a acreditar e a dar valor ao trabalho de recuperação desenvolvido pelo actual governo e provavelmente irão conceder-lhe o benefício da dúvida em próximas eleições, dando-lhe oportunidade de concretizar o seu projecto político, agora com mais recursos económicos e, consequentemente, sem necessidade de "obrigar" os cidadãos a tanta austeridade.
 
Pela parte que me diz respeito, não tenho qualquer simpatia por nenhuma das forças políticas mas, na qualidade de cidadão atento ao seu desempenho e não havendo uma solução supra-partidária para governar o País, sou favorável à continuidade das actuais forças políticas.

Esta posição é ponderada e apoiada na avaliação feita ao longo de todo o período democrático à governação dos partidos que exerceram o poder e, nesse sentido, não podia ter outra opinião.

António Costa, em meu entender, vai perceber que há valores que devem ser preservados e que não vale tudo em política, pois "quem se mete por atalhos mete-se em trabalhos". Cá estamos para ver como tudo vai acabar.
 

quinta-feira, 2 de abril de 2015

NA JUSTIÇA, QUERO ACREDITAR, NADA SERÁ COMO ANTES

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Na qualidade de cidadão honrado e cumpridor das leis do País, noto com alguma satisfação a mudança que se vem operando, nesta legislatura, ao nível do Estado e das instituições por ele tuteladas.
 
Na justiça, bastou a mudança do Procurador Geral da República e algumas substituições no DCIAP (Departamento de Investigação e Acção Penal) para se verificar uma actuação mais imparcial e responsável, levando a investigação até às últimas consequências, sem render homenagens aos poderosos como até então acontecia.
 
Esta mudança está bem patente nas operações "Marquês" e "Vistos Gold" em que no primeiro caso foi detido o ex-primeiro ministro José Sócrates, o qual se encontra em prisão preventiva no estabelecimento prisional de Évora, acusado de quatro tipos de corrupção e ainda de branqueamento de capitais, fraude fiscal e fraude fiscal qualificada e no segundo caso, foram efectuadas várias detenções na área da tutela do Ministério da Administração Interna (MAI), o diretor do SEF, Manuel Palos, e na alçada do ministério da Justiça, o presidente do Instituto de Registos e Notariado (IRN), António Figueiredo e a secretária-geral do ministério, Maria Antónia Anes, quadro superior da PJ e na sequência desta operação, o próprio ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, acabou por apresentar a sua demissão. 
 
Há muitas outras investigações importantes a decorrer que nos levam a acreditar que na área da justiça nada será como antes. Seria impensável nos tempos do procurador Pinto Monteiro e da procuradora Cândida Almeida, a detenção de Sócrates e mesmo o apuramento de responsabilidades na investigação aos "vistos gold". Os casos "Freeport", "Furacão", "Submarinos", "Monte Branco", "Parcerias Público-Privadas", "Contratos de Energia" e outros, falam por si. Esta dupla de "paus mandados", não defendeu os superiores interesses do País e permitiu que monstruosos crimes de corrupção e outros ficassem sem castigo. Mas o que é que se poderia esperar da procuradora Cândida Almeida que numa entrevista teve o descaramento e a pouca vergonha de afirmar que "o nosso país não é um país corrupto, os nossos políticos não são políticos corruptos, os nossos dirigentes não são dirigentes corruptos. Portugal não é um país corrupto." Pois foi esta senhora que esteve 12 anos à frente do DCIAP para combater a corrupção e que, nada fez, porque, como afirmou, não existe corrupção em Portugal.
 
Felicito vivamente a actual PGR, Joana Marques Vidal, por ter tido a coragem que outros não tiveram para "limpar" o DCIAP e "empurrar" borda fora um empecilho que demonstrou ao longo de 12 anos total irresponsabilidade e incompetência. Só pergunto: como foi possível manter tantos anos num cargo tão importante para o País, tão péssima funcionária?

A justiça é um dos pilares essenciais de qualquer Estado de Direito, onde não devem ter assento cidadãos que não zelam por ela. De resto, já Aristóteles que viveu há mais de dois mil e trezentos anos, entre 384 e 322 a. c., afirmava,  com grande sabedoria, que a JUSTIÇA é a base da sociedade.