terça-feira, 28 de dezembro de 2010

COM SANTANA LOPES O PAÍS ESTARIA BEM MELHOR


O ex-Presidente da República Jorge Sampaio, que exerceu a sua magistratura entre 1996 e 2006, cumprindo dois mandatos, actuou de forma leviana e irresponsável ao dissolver o Parlamento e convocar eleições antecipadas, em Dezembro de 2004, pois com tal atitude, deu início a um ciclo governativo ruinoso para Portugal e para os portugueses, dando origem a uma das maiores crises económicas de que há memória.

Se não fosse a sua ligação ao Partido Socialista e a obsessão pessoal de o guindar ao poder, jamais tomaria tal decisão, porque não havia motivos para tomar uma medida tão drástica e tão penalisante para o País, uma vez que o Governo de então funcionava em maioria e era sustentado por dois partidos idóneos e responsáveis.

O então Presidente da República acusou o Primeiro-Ministro de ser fértil em trapalhadas, pretexto habilmente utilizado para fazer chegar o Partido Socialista ao Poder, táctica que também foi adoptada pela comunicação social esquerdista e tendenciosa que à época se mostrou implacável contra o Primeiro-Ministro, inventando todos os dias uma "trapalhada" diferente para o destabilizar e desacreditar. Digamos que a imprensa escrita e falada se uniu ao Presidente da República para derrubar o Primeiro-Ministro e o seu Partido, o PPD/PSD, promovendo, em contrapartida o PS, ajudando-o a ganhar as Legislativas resultantes do decreto de dissolução da Assembleia da República que Jorge Sampaio não teve decoro ou relutância em assinar e promulgar.

Muita gente lúcida, não teve dúvidas de, na altura, reprovar severamente o comportamento do Presidente da República, mas hoje, volvidos quase seis anos, não só é possível constatar que essas pessoas tinham toda a razão do Mundo como ainda afirmar, sem qualquer receio de errar, que se Pedro Santana Lopes tem continuado a exercer as suas funções até ao final do mandato, o País não estaria hoje nesta tão difícil situação económica porque o ex-Primeiro-Ministro estava melhor preparado para exercer tão importante e difícil cargo, essencialmente pelas seguintes razões:

De entre os importantes cargos públicos que desempenhou, contam-se os de Presidente da Câmara Municipal de Lisboa e da Figueira da Foz, onde realizou trabalho merecedor de uma boa avaliação; não tem por hábito enganar e mentir aos portugueses; gosta de honrar a sua palavra; não consta do seu passado que se tenha envolvido em esquemas mafiosos, fraudulentos e corruptos; é honesto e a prova disso é que muita gente perversa já tentou chamuscá-lo ou mesmo queimá-lo e não conseguiu; por ser ponderado e respeitar o dinheiro proveniente dos impostos dos contribuintes, não embarcaria em projectos ruinosos e megalómanos; é um político e cidadão patriótico, preocupado com o País e o bem-estar dos portugueses.

Estas são algumas das razões que sustentam a afirmação do título da mensagem, mas há mais:

O seu Governo era constituído por personalidades de grande competência e prestígio, com provas dadas ao longo da vida e vale a pena recordà-las:

Álvaro Barreto, Ministro de Estado, das Actividades Económicas e do Trabalho; Paulo Portas, Ministro de Estado, da Defesa Nacional e dos Assuntos do Mar; Nuno Morais Sarmento, Ministro de Estado e da Presidência; António Bagão Félix, Super-Ministro das Finanças; António Monteiro, Ministro dos Negócios Estrangeiros e das Comunidades Portuguesas; Daniel Sanches, Ministro da administração Interna; José Pedro Aguiar-Branco, Ministro da Justiça; José Luis Arnaut, Ministro das Cidades, administração Local, Habitação e Desenvolvimento Regional; Carlos da Costa Neves, Ministro da Agricultura; Maria do Carmo Seabra, Ministra da Educação; Maria da Graça Carvalho, Ministra da Ciência, Inovação e Ensino Superior; Luis Filipe Pereira, Ministro da Saúde; Fernando Negrão, Ministro da Segurança Social, Família e Criança; António Mexia, Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações; Maria João Bustorff, Ministra da Cultura; Luis Nobre Guedes, Ministro do Ambiente e Ordenamento do Território; Telmo Correia, Ministro do Turismo; Rui Gomes da Silva, Ministro adjunto do Primeiro Ministro.

O competentíssimo e rigoroso Ministro das Finanças, jamais embarcaria em situações que não fossem transparentes e não pactuaria com engenharias financeiras para enganar o País. De resto, outras pastas importantes estavam igualmente bem atribuídas e episódios rocanbolescos como a construção do TGV, Aeroporto, 2ª Travessia do Tejo, 2ª auto-estrada norte/sul e outras obras megalómanas, não teriam acontecido, porque o Primeiro-Ministro, mais responsável e menos teimoso, reconheceria as dificuldades da economia portuguesa e não sancionaria tais encargos; era um Governo de maioria parlamentar que podia ter posto em prática grandes medidas para o País e realizar reformas importantes; era um Governo que não permitiria que acontecesse um conjunto de episódios gravíssimos como o caso Freeport, Face Oculta, TVI/Ongoing/PT, Tagus Park/Pedro Soares/Figo e muitos outros que para além de prejudicarem a economia do País, descredibilizaram os governantes e a classe política; também não creio que o Governo de Santana Lopes distribuisse tantos tachos e benesses como o que está em funções.

Ainda quanto a Pedro Santana Lopes, o Primeiro-Ministro demitido por razões que a razão não entende, demonstrou a sua impolutabilidade em todos os altos cargos que desempenhou anteriormente e tal postura garantia que na qualidade de Chefe do Governo, iria ser ainda mais rigoroso e exigente. Não lhe permitiu essa demonstração o Presidente da República que para agradar aos seus apaniguados, interrompeu extemporaneamente o seu mandato, dando a sua importante contribuição, com tão desajustado acto, para colocar no seu lugar, alguém da mesma cor política, com muito menos competência, bem patente nas trapalhadas que tem protagonizado ao longo de quase seis anos de governo, essas sim, trapalhadas muito mais graves, merecedoras de um tratamento mais severo por parte do actual Presidente da República.

O Governo do actual Primeiro-Ministro é responsável pela grave degradação económica e política que se apoderou do País devido à sua inabilidade governativa, teimosia e arrogância sem limites e a toda uma série de péssimos exemplos comportamentais que tem dado aos portugueses.

Jorge Sampaio correu com Santana Lopes para abrir os braços ao seu camarada Sócrates e o resultado está à vista. Sócrates, é de longe, o pior Primeiro-Ministro de sempre e há muito que devia ter sido demitido. Um Primeiro-Ministro não pode mentir e se o fizer tem que ser imediatamente posto no olho da rua. Uma das facetas mais características da democracia portuguesa, é sem dúvida o facto de um Presidente da República poder exonerar um Primeiro-Ministro e um Governo que nada fez de mal para uma tal tomada de posição e, ao mesmo tempo, poder manter em funções um outro Primeiro-Ministro que há muito devia ter sido demitido.

Se neste País os culpados fossem responsabilizados pelos actos ruinosos que praticam, Jorge Sampaio não se livraria de ser incluído na lista daqueles que contribuíram para a degradação económica e política do País, merecedores de severa punição.

Mas neste País as coisas não funcionam assim, uns cometem toda a espécie de crimes e arruinam a economia do País e nada lhes acontece e outros, as vítimas dessa espécie de governantes incompetentes, têm que apertar o cinto e suportar toda a espécie de privações e cortes nas regalias sociais, salários, pensões e reformas, adquiridas com tanto sacrifício ao longo de uma vida.
Santana Lopes foi prejudicado na sua carreira política e pode queixar-se da falta de isenção do Presidente da República mas o Povo Português foi quem acabou por pagar a maior factura e, pelos vistos, quanto a apertar o cinto, ainda a procissão vai no adro.


quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

VÍTIMA DE EXTORSÃO CONSENTIDA


Cuidado com o nº 62956. As autoridades que investiguem a quem pertence

Porque pago a factura de telefone através do Sistema de Débito Directo, só ao terceiro mês de vigarices me apercebi que a TMN estava a facturar mensagens de valor acrescentado, a 1,667 euros cada, enviadas do meu número de telemóvel para o número 62956, sem que eu alguma vez tivesse emitido qualquer mensagem para o dito número, como pode ser facilmente comprovado.

Em média, foram facturadas oito mensagens em cada mês, no valor global de 40,038 euros. Esta importância foi-me extorquida porque eu não enviei qualquer mensagem para o número referido. É, portanto, um roubo autorizado que provavelmente está a ser feito a muitos outros cidadãos.

Quem se vê numa situação destas, para além de ficar indignado e revoltado, não pode deixar de colocar a seguinte questão: como é possível praticar vigarices desta natureza? Como é possível facturar a alguém, mensagens que nunca enviou? A quem devo pedir responsabilidades? Quem me vai ressarcir do montante facturado indevidamente?

Liguei para o número de apoio ao cliente da TMN para reclamar e mandar barrar imediatamente o serviço de mensagens de valor acrescentado e do lado de lá, o funcionário que me atendeu, disse-me imediatamente que eu devia enviar uma mensagem para o número 62956 para desistir do jogo, o que é bizarro, porque eu tinha-o informado que nunca participei em nenhum jogo e não enviei mensagem nenhuma. Por outro lado, quanto ao pedido de barragem do Serviço de Valor Acrescentado, disse-me que o não podia fazer sem que eu assinasse uma declaração nesse sentido.

Esta situação é inacreditável!!! Então o titular do número de telemóvel lesado, devidamente identificado (tive que dizer a morada e o número de contribuinte), não pode mandar barrar o referido serviço através do telefone? Afinal, pelo telefone, só se podem resolver os assuntos que são do interesse da operadora? Se isto se não tivesse passado comigo e me tivessem contado, provavelmente não acreditaria.

A operadora não zelou pelos meus interesses e facturou mensagens de valor acrescentado sem me avisar e, por outro lado, accionou o Sistema de Débito Directo sem prévia autorização, o qual esteve em vigor praticamente sem que eu desse conta porque não tomei conhecimento do conteúdo da carta em que a Caixa Geral de Depósitos me dava essa informação.

Face à gravidade do sucedido, cancelei imediatamente o Sistema de Débito Directo e, logo que oportuno (o mais brevemente possível), mudarei de operadora porque não gostei do tratamento que me dispensou e não admito que alguém, sem a devida autorização, possa retirar dinheiro da minha conta.

É claro que este seria um caso para entregar nas mãos da Polícia Judiciária e posteriormente aos tribunais mas tendo em conta o estado deplorável da Justiça, prefiro não tomar tal decisão, para não vir a sofrer, em pleno Tribunal, a desilusão e a humilhação de uma sentença favorável aos vigaristas, como acontece todos os dias, miseravelmente, nos tribunais deste pequeno País.

domingo, 14 de novembro de 2010

É PRECISO UM VERDADEIRO ESPÍRITO DE NATAL


A quadra natalícia é para mim um dos períodos mais difíceis do ano. Não suporto tanto consumismo, tanto desperdício, tanta fraternidade, tanta simpatia ocasional e tanta solidariedade fingida. É tudo contrário ao ESPÍRITO DE NATAL.

No Natal comemora-se o nascimento do Menino Jesus que ocorreu há dois milénios, em condições de extrema pobreza, num estábulo para animais, na cidade de Belém, transmitindo à humanidade, através desse gesto ímpar, uma infinita humildade e total desprendimento.

Para se comemorar convenientemente uma tão grandiosa efeméride, os pobres e os mais desprotegidos, tinham que ser, obrigatoriamente, o centro de todas as atenções. Todas as boas-vontades tinham que ser canalizadas para os que não têm tecto, para os enfermos e para todos quantos vivem diariamente o drama da incerteza de não poderem garantir uma simples tigela de sopa para matar a fome.

Infelizmente, o Natal é um errado pretexto para os ricos e os menos ricos gastarem grandes somas de dinheiro em prendas supérfluas, para si próprios e para pessoas que não precisam, constituindo tal prática, uma verdadeira afronta aos que têm falta de tudo.

Acredito que a pobreza poderia ser totalmente erradicada do Mundo, se em cada Natal, as pessoas fossem capazes de resistir à tentação de comprar artigos supérfluos e canalizassem todo o dinheiro poupado para ajudar os mais pobres.

Em todo o Mundo, se esse extraordinário ESPÍRITO DE NATAL funcionasse, seria possível acumular recursos tão gigantescos que certamente chegariam para erradicar a fome e a extrema pobreza que grassa no Planeta Terra.

Mas será o homem capaz de algum dia praticar acto tão magnânimo e sublime? Será o homem capaz de renunciar à altivez, ostentação e exibicionismo que lhe corre nas veias, para ajudar os mais desfavorecidos?

Para tal acontecer, o Ser Humano tem que evoluir rapidamente no caminho do BEM, de tal forma que sinta absoluta necessidade de percorrer esse caminho para se sentir bem e para ser feliz.

Quando isso acontecer, quando todos os homens praticarem o BEM, então o ESPÍRITO DE NATAL funcionará em pleno, durante todo o ano e a fome será definitivamente erradicada do Planeta Terra.

sábado, 13 de novembro de 2010

LUCIDEZ EM VEZ DE CEGUEIRA POLÍTICA


O lúcido e competentíssimo Ministro dos Negócios Estrangeiros do Governo de José Sócrates, em diversas ocasiões manifestou a sua discordância relativamente à governação, nomeadamente quanto a algumas das grandes obras e agora quanto à existência de um Governo minoritário.
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Tem demonstrado ideias próprias e tem-nas manifestado, mesmo sabendo que causam incómodo porque são contrárias à linha de rumo do Governo. A sua "independência" política relativamente ao Governo e ao Partido, contrasta com a do Primeiro Ministro e permite-lhe ver que este Executivo minoritário não tem capacidade de enfrentar a crise e que é necessária uma coligação que garanta estabilidade e o cumprimento integral do Orçamento de Estado.

O Ministro dos Negócios Estrangeiros tem-se recusado a assumir um papel de mero "seguidor" do Chefe, tem procurado exercer influência positiva nas decisões do Executivo e, acima de tudo, tem demonstrado, com os seus actos e atitudes, que coloca acima de tudo, os superiores interesses do País, coisa raríssima, neste pequeno rectângulo à beira-mar plantado.

Luis Amado, é daqueles homens que não confunde interesses pessoais com interesses do Partido e interesses nacionais. Coloca cada coisa no seu devido lugar, sem misturas ou promiscuidades.

Neste País, é muito difícil existir algum político sem rabos de palha. Não pesquisei a vida do Ministro dos Negócios Estrangeiros e pouco sei do seu passado mas que me parece um homem com forte personalidade e uma formação ética e moral fora do vulgar, isso eu não tenho dúvidas.

Agora, e mais uma vez, Luis Amado, igual a si próprio, sem receio de represálias, despindo a camisola partidária, vem dizer em entrevista ao Expresso, com toda a frontalidade e patriotismo, que na difícil conjuntura económica que Portugal atravessa, não faz sentido a existência de um Governo minoritário e que é preciso urgentemente um Governo de coligação, manifestando-se disponível para abdicar do cargo governamental em nome da estabilidade.

E o Ministro dos Negócios Estrangeiros, na mesma entrevista ao Expresso, fez ainda questão de acrescentar: "Eu já tentei fazer isso logo no início do Governo, propondo um diálogo e uma forma de entendimento, quer através de coligações, quer através de acordos parlamentares, mas, infelizmente, o País bem sabe que de todos os outros partidos, nenhum deles está disponível para partilhar responsabilidades com o partido socialista no Governo".

O que este País efectivamente necessita para sair da crise, é de homens com a visão e a lucidez do Ministro dos Negócios Estrangeiros que sendo socialista e membro destacado do Governo, não se coibe de apontar soluções para os graves problemas do País que são contrárias à vontade do Executivo e da Direcção do Partido.
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A credibilização da política também só será possível com gestos lúcidos e de grande nobreza de carácter, comparáveis aos do Ministro dos Negócios Estrangeiros, Luis Amado.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

MEU DEUS, QUANTA CRUELDADE!!!




Hoje, quando me encaminhava para as instalações da Colectividade de que sou Presidente da Direcção, deparei com um grupo de cinco indivíduos junto à entrada de uma garagem emparedada que posicionados em círculo e de pé, gargalhavam e proferiam um chorrilho de obscenidades.

Perante aquele bizarro quadro, nenhum transeunte ficaria indiferente e eu também não fiquei. De uma forma simplista, associei aquele comportamento a alguém que estaria sob o efeito de qualquer tipo de droga e provavelmente não me enganei.

O que eu jamais poderia imaginar, era que os indivíduos pudessem estar a cometer uma tão grande crueldade com uma ave inofensiva e indefesa. O que aqueles jovens, com idades entre os 15/17 anos, estavam a fazer, não dá para acreditar. Enquanto um agarrava um pombo pela cabeça, um outro queimava-lhe as penas com a ajuda de um isqueiro. E era com este espectáculo macabro e cruel que aquele conjunto de indivíduos, sem coração e sem pingo de vergonha, despejava a sua maldade e se divertia.

Quem pratica uma acção desta natureza contra uma ave inofensiva e indefesa, é bem capaz de fazer o mesmo a uma pessoa ou a qualquer outro animal.

Este conjunto de inconscientes, provavelmente também pertence ao grupo que parte os vidros dos abrigos das paragens dos autocarros, que incendeia os contentores do lixo, que viola as caixas do correio, que corta árvores, que suja os prédios, que utiliza táxis e depois sova e assalta os motoristas, que encomenda pisas para moradas que não lhes pertencem e depois rouba e agride o pobre do empregado, que assalta velhinhos indefesos e tantas outros crimes que diariamente vitimam tantos cidadãos inocentes e indefesos.

Meu Deus! Por onde andam os valores que meus pais e avós me transmitiram e que eu procurei também incutir nos meus filhos e netos? Será que já ninguém, nos dias de hoje, tem capacidade para distinguir o bem do mal? Será que o mal está, irremediavelmente, a levar a melhor sobre o bem?

Muitas destas coisas acontecem porque as autoridades não intervêm quando devem intervir e depois, este tipo de gente, porque goza de completa impunidade, sente que pode actuar quando, onde e como lhe apetecer. Não há justiça.

Assim, será muito difícil construir um País e um Mundo melhor.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

GUERRA JUNQUEIRO - INTEMPORAL



Haverá algum engano na data?


"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia de um coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.

Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não distinguindo já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.

Um Poder Legislativo, esfregão de cozinha do Executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País.

A Justiça ao arbítreo da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.

Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no Parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar"

GUERRA JUNQUEIRO (1896)


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Incrível!!! Vejam como é extraordinariamente realista, nos nossos dias, esta fantástica prosa de Guerra Junqueiro, escrita no século XIX, há precisamente 114 anos!!!

Espantoso! Assim era há 114 anos e assim continua a ser, na actualidade, a miserável política portuguesa. Os homens já não são os mesmos mas as suas abomináveis práticas, os seus maus hábitos e costumes, esses mantêm-se inalteráveis, cada vez mais arraigados e sofisticados.

E o que dizia Junqueiro do Povo? Será que se ele vivesse hoje, não teria as mesmas razões para escrever o que escreveu?

Os homens não mudam e está provado que enquanto o Povo lhes der rédea solta, eles continuarão sempre atolados em esquemas de corrupção e práticas vergonhosas, delapidando a riqueza do País e tornando cada vez mais insuportável a existência das pessoas.

Os governantes precisam de rédea curta. É preciso uma intervenção mais activa do Povo. É preciso um órgão fiscalizador, composto por elementos do Povo (mas mesmo do verdadeiro Povo) e residentes em cada região do País, que tenha poder para tomar decisões e força de Lei para impedir o saque permanente do património da Nação.
Para Junqueiro, o povo tinha uma enorme quota parte de responsabilidade nos desmandos da classe política porque nada fazia para o impedir e hoje verifica-se precisamente a mesma coisa.
Até quando?

terça-feira, 26 de outubro de 2010

RECESSÃO ECONÓMICA OU RECESSÃO DE VALORES?



A crise económica está instalada há muitos anos em todo o Mundo. Grandes Grupos Económicos dos mais diversos sectores, abrem diariamente falência e mandam para o desemprego milhões de trabalhadores.

Os Governos gastam à fartazana, recursos que não têm e aumentam assustadoramente a dívida interna e externa, obrigando os cidadãos a pagar a factura, com o aumento de impostos e do custo de vida. É de tal forma aflitiva a asfixia financeira com que se deparam que, em alguns casos, estão muito próximos da ruptura financeira e por consequência, impossibilitados de honrar os seus compromissos.

Mas afinal, qual é verdadeiramente a causa desta desesperante situação económica a que chamam recessão? Porque se chegou a este beco sem saída? Então os Países não continuam a produzir? Não continua a haver Oferta/Procura? Anualmente, não continuam a produzir-se grandes riquezas? Existe mesmo uma recessão económica ou a raiz do problema tem a ver com a gritante crise de valores que se apoderou da sociedade?

Cá para mim, é indubitável que existe de facto uma gigantesca recessão de valores éticos e morais que está na génese de todos os problemas que apoquentam a humanidade. É essa monstruosa crise de valores, a causa de não haver honestidade, verdade e justiça e sem estes valores não é possível construir um modelo económico de sucesso nem um Mundo justo e solidário para todos.

Todas as crises são provocadas pela actuação criminosa do homem que não olha a meios para alcançar os seus interesses pessoais, corrompendo ou deixando-se corromper, mentindo, desfalcando, traindo e até matando..

Acham que se os dinheiros públicos e os biliões que entraram em Portugal provenientes da CEE (Comunidade Económica Europeia) fossem escrupulosamente geridos ou administrados, o País estaria na bancarrota? Quem beneficiou do maior quinhão dessas verbas astronómicas? Analisem quantas fortunas se fizeram desde a entrada de Portugal na CEE e comparem com os progressos sociais e bem-estar, em geral, das classes trabalhadoras. Atentem na irrisória quantia do ordenado mínimo nacional que serve de bitola à remuneração mensal de milhões de portugueses. Atentem também no acesso à saúde, à educação, à habitação e ao emprego e digam-me como é que a classe trabalhadora deste povo pode viver minimamente feliz.

Podem os governantes deste e dos outros Países berrar a plenos pulmões que as dificuldades que atravessam se devem a uma conjuntura económica internacional difícil que eu não lhes dou ouvidos. A causa de tudo quanto de grave está a acontecer, é sem dúvida de quem governa e de forma irresponsável e criminosa, coloca os interesses pessoais acima dos interesses do País e do bem-estar dos cidadãos.

Afinal, quem arrastou a economia global para a recessão? Respondo. Foram os homens sem ética e sem moral que na mira de alcançarem lucros fabulosos, fizeram negócios ruinosos que provocaram a falência de grandes Grupos Económicos e empurraram para o desemprego milhões de trabalhadores. A recessão resulta de sucessivos actos criminosos, fraudes gigantescas, perpetradas ao mais alto nível, com as consequências que todos conhecemos.

O pior, é que nada do que se passou serviu de exemplo, a avaliar pelos casos de corrupção e de fraude que todos os dias vemos noticiados, praticados por gentalha da mesma espécie que descarada e desenvergonhadamente continua a mentir de cada vez que abra a boca, insultando e faltando ao respeito a gente de bem que vive esmagada sob pesado fardo de impostos e todos os dias se mortifica para garantir uma mísera malga de sopa.

Até quando será possível suportar tão revoltante situação?


sexta-feira, 1 de outubro de 2010

OCULTAR A VERDADEIRA IDENTIDADE É COVARDIA


A INTERNET É UM ÓPTIMO REFÚGIO PARA OS COVARDES

A covardia é uma característica comum a uma grande percentagem da humanidade. Por covardia, o homem comete os mais hediondos crimes e patrocina as mais infames injustiças. A pusilaminidade acompanha o homem desde as origens e é responsável, em grande parte, pela adulteração do seu carácter.

Nas coisas que dependem dele, do homem, individualmente, é impossível a alguém evitar esses actos covardes. Porém, que a sociedade permita a exteriorização desses actos quando os podia evitar, já me custa a aceitar tal altruismo.

Mas vamos direitos ao objectivo desta mensagem: Não me parece ética e moralmente correcto que uma boa parte dos utilizadores da Internet escrevam, comentem e opinem, sobre anonimato. Toda a gente tem o direito de elogiar ou criticar, mas em termos que não ofendam a dignidade de ninguém, devidamente identificados e assumindo de corpo inteiro o que dizem.

Não é isso que eu constato, infelizmente. Vejo diariamente coisas vergonhosas na Internet, escritas sobre anonimato. Os seus autores não têm coragem de mostar a cara (leia-se, de se identificar) e, por isso mesmo, actuam de rosto tapado, sinal evidente que têm plena noção das poucas-vergonhas que escrevem.

Porque se permite a utilização da Internet sob anonimato? Porque se autoriza a actuação de gente covarde que só escreve o que escreve, porque sabe que não vai ser identificada?

A Internet é um meio poderoso que mal utilizada pode destruir uma qualquer pessoa de bem e já causou grandes tragédias. Quem escreve tem que assumir a responsabilidade dos seus actos e, para isso, é necessário que esteja devidamente identificado.

A Internet precisa de regras muito claras, o mais urgente possível que salvaguardem a honra e a dignidade de qualquer cidadão e garanta que o autor de ofensas graves não ficará impune.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

ARSENAL 6 - BRAGA 0


OS MINHOTOS FORAM DEMASIADO INGÉNUOS E MOLES NO CONFRONTO COM OS INGLESES DO ARSENAL

O Braga iniciou a sua participação na fase de grupos da Champions da pior forma, sofrendo uma derrota humilhante por seis bolas a zero. O verdadeiro Arsenal atropelou violentamente o outro, da cidade de Braga que também é designado por "arsenal de Braga"

Curiosamente, a equipa do Braga, ao contrário do que costuma fazer no Campeonato Nacional, cometeu erros demasiados que facilitaram a goleada dos ingleses. A equipa bracarense entrou em campo completamente fora de ritmo, não acompanhando a velocidade dos jogadores do Arsenal e chegando sempre atrasados aos lances divididos.

O Braga que tem uma defesa bastante segura, esteve irreconhecível e, por outro lado, falhou também redondamente nas jogadas de contra-ataque, onde também costuma ser forte e ter êxito no Campeonato Nacional.

Uma goleada por seis bolas a zero, é realmente um resultado muito mau e pode, inclusivé, deixar marcas profundas nos jogadores que poderão ter reflexos negativos nos próximos jogos, quer para a Liga Sagres quer para a Champions.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

A RTP PRESTOU UM MAU SERVIÇO À JUSTIÇA E AOS CIDADÃOS

Durante quase uma década, a Comunicação social fez do processo de pedofilia da Casa Pia, o seu filão de ouro, alimentando todos os dias a avidez da opinião pública, com todo o tipo de notícias.

Os Órgãos de Informação, escritos e falados, promoveram a mediatização do processo, não só pelo facto de incluir figuras públicas ilustres mas também para daí tirarem os respectivos proveitos.

Nesse espaço de tempo, entre 2002 e 2010, milhares de processos foram investigados, julgados, absolvidos e condenados sem intervenção da Comunicação Social. Normalmente, os processos que são objecto da atenção dos media, acabam todos em águas de bacalhau, porque o segredo de justiça é constantemente violado para que os arguidos tenham oportunidade de melhor preparar a sua defesa.

No processo Casa Pia, compreendeu-se perfeitamente, ao longo do tempo, quais os órgãos de informação que trataram o assunto com isenção, os que se colocaram ao lado das vítimas e os que descaradamente defenderam os arguidos.

Em minha opinião, nenhum tratou do processo com isenção e alguns publicaram informação tendenciosa, quase sempre para desacreditar as vítimas.

Agora que o processo foi julgado e aplicadas as penas possíveis, os mesmos órgãos de comunicação social, insistem em desacreditar as vítimas e o colectivo de juízes que conduziu o processo, não dando descanso ao pesadelo dos jovens violentados que dura desde crianças.

Que pretendem esses órgãos de informação? Promover um novo julgamento na praça pública? Porque não deixam a justiça actuar e teimam em dar visibilidade e em tratar de forma diferente, os vários intervenientes no processo?

Durante todos estes anos, os alunos da Casa Pia, vítimas de abusos, foram constantemente apelidados de mentirosos pelos arguidos e pelos seus advogados e, no fundo, tratados como mercadoria fora de prazo. Pois agora que foi provada a sua razão no processo principal mas também noutros processos que lhes foram movidos por figuras públicas que eles denunciaram, dizendo claramente as sentenças que os seus testemunhos são credíveis e que as crianças não mentiram, a informação escrita e falada, continua a privilegiar quem já foi condenado quando devia colocar um ponto final no assunto.

Convoquem os meninos abusados para ir à televisão relatar os horrores que sofreram dos abusadores, mencionar os seus nomes, falar dos seus hábitos e costumes e, porque não, descrever até as características do seu corpo. Façam isso, para que algumas dúvidas que possam ainda pairar na opinião pública, sejam definitivamente dissipadas e para repararem a falta de isenção com que o processo tem sido tratado.

Quem não segue de perto as peripécias deste processo, ao ver e ouvir as notícias sobre o mesmo, pode facilmente ser induzido em erro, pensando que os abusadores são as vítimas e as vítimas são os abusadores.

Afinal, neste País, parece que funciona tudo ao contrário e, por isso mesmo, assistimos todos os dias, calma e tranquilamente, à repetição da velha história do lobo e do cordeiro, sem que ninguém se insurja contra tal aviltamento.

A Comunicação Social deve utilizar o seu imenso poder e influência para ajudar a descobrir a verdade, em todas as situações e circunstâncias, estando em causa gente modesta ou poderosa, com respeito absoluto pelos valores da isenção e imparcialidade.

A Comunicação social, desde que não apresente factos concretos que possam ajudar a esclarecer a verdade, deve abster-se de opinar sobre quem é culpado ou inocente porque essa tarefa pertence exclusivamente à justiça e deve ser respeitada.

Enquanto isso não acontecer, continuaremos a assistir, repetidamente, a patéticas manobras de diversão que nos indignam e envergonham a todos.

No último programa "Prós & Contras", um ex-casapiano abusado, deu a cara e com uma serenidade impressionante, respondeu às questões da moderadora. Em determinado momento, admitiu que tanto ele como provavelmente outros colegas vítimas de abusos, tiveram que descrever com mais ênfase, as práticas abusivas de que foram vítimas, para que as autoridades acreditassem nos seus relatos.

Toda a gente sabe que ao longo de décadas, os jovens casapianos abusados, denunciaram essas sevícias aos superiores da Instituição e até aos governantes mas todos ignoraram as suas queixas. Para uns quantos indivíduos poderosos e sem escrúpulos usarem e abusarem dos meninos as vezes quizeram, foi necessário criar a ideia, dentro e fora da Casa Pia, que os jovens eram uns refinados mentirosos compulsivos, com o objectivo de os descredibilizar e de não serem levadas a sério as suas denúncias.

Foi neste contexto que o ex-casapiano afirmou que, por vezes, foi necessário dar mais ênfase aos relatos sobre os abusos para se fazerem acreditar. Porém, a moderadora, como que ignorando o significado da palavra (exageração no tom de voz ou nos termos empregados, relevo, realce), insistiu diversas vezes com o casapiano para explicar o que queria dizer "dar mais ênfase aos relatos", na mira de lhe arrancar alguma declaração bombástica. Não o conseguiu porque o ex-casapiano não disse mais do que aquilo que a palavra significa. Mesmo assim, no final da sua extensa intervenção, o Senhor Carlos Cruz afirmou que essa referência do ex-casapiano foi a coisa mais importante que se passou no programa!!!

Portugal inteiro assistiu incrédulo e atónito ao tratamento dado pela RTP ao Senhor Carlos Cruz, em três programas consecutivos: Telejornal, Grande Entrevista e Prós e Contras, sendo que neste último, teve até o privilégio de moderar a própria moderadora!

Que mau serviço a RTP prestou à Justiça e aos cidadãos! Um canal público, pago por todos os portugueses, não pode enveredar por este tipo de actuações, sem o mínimo de rigor e isenção e atentatórias do bom nome da Estação.

Este post foi redigido logo após os acontecimentos que lhe deram origem mas entendi que deveria deixar passar algum tempo para ver se a minha opinião se alteraria. De facto a minha opinião continua rigorosamente igual e, por isso mesmo, faço hoje a sua publicação, solidarizando-me com os milhões de portugueses que se indignaram com a actuação da RTP.

sábado, 11 de setembro de 2010

GUIMARÃES 2 - BENFICA 1


Rui Miguel festeja o 2º golo do Guimarães
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A 4ª jornada da Liga Sagres, começou na Sexta-feira à noite, em Guimarães, com uma escandalosa arbitragem do árbitro internacional Olegário Benquerença, cuja actuação teve influência directa no resultado final.

O Benfica tem muita razão de queixa da actuação de Benquerença, de resto, useiro e veseiro a prejudicar os encarnados em muitas outras ocasiões.

Em Guimarães, o árbitro não sancionou duas grandes penalidades flagrantes a favor do Benfica e, pelo menos, em duas ocasiões impediu os lisboetas de marcar, anulando duas jogadas, por alegados foras-de-jogo que não existiram, quando Sá Viola e Cardozo estavam isolados, só com o guarda-redes vimarenense pela frente.
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Estas foram incidências gravíssimas que penalizaram a equipa encarnada mas para além disso, vale a pena apreciar os critérios que presidiram à amostragem de tantos cartões amarelos (sete) aos atletas benfiquistas e à marcação de algumas faltas que só existiram na cabeça do árbitro.

Benquerença já prejudicou o Benfica de todas as formas e feitios e até já lhe "roubou" um golo que entrou na balizade Vitor Baía, em pleno Estádio da Luz. Aos mais esquecidos, lembro que no dia 17 de Outubro de 2004, o F. C. Porto venceu o Benfica por 1-0, sob a arbitragem habilidosa do Senhor (Mal)querença, depois de ter anulado um golo limpo de Peti, um tremendo frango de Vítor Baía que deixou escapar a bola mais de 40 cm para dentro da baliza mas que este mau juiz teve a pouca-vergonha de não considerar. Também nesse jogo, fingiu que não viu uma grande penalidade sobre Karadas e prejudicou a equipa lisboeta em lances capitais.

Com um historial de arbitragens tão vergonhosas, como é possível que este árbitro continue a poder dirigir jogos em que participe o Benfica?

Nos quatro jogos disputados, as arbitragens prejudicaram os encarnados, ficando algumas grandes penalidades por assinalar, verificando-se também uma preocupante dualidade de critérios que indicia uma forte má vontade contra o Clube lisboeta.

O certo é que neste momento, com quatro jornadas disputadas, o Benfica perdeu por três vezes, marcou 6 golos e sofreu outros 6. Não há memória de um início de campeonato tão desastrado e à 4ª jornada ocupa os últimos lugares, a 9 pontos do líder Futebol Clube do Porto.

À hora a que escrevo esta crónica já se sabe que o Olhanense empatou em Alvalade 0-0, estando a fazer um bom início de Campeonato. Por outro lado, a cerca de 10 minutos do final da partida entre Porto e Braga, o resultado é favorável aos portistas por 3-2.

Vamos ver quantas mais surpresas nos vai proporcionar este Campeonato, ao nível das arbitragens e não só... Aguardemos.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

O CRIME NÃO COMPENSA


A ETA surpreendeu as autoridades espanholas ao anunciar unilateralmente um cessar-fogo e ao declarar que quer decidir livre e democraticamente o futuro.

Estamos a falar de uma Organização que foi fundada em 1959 e que luta pela independência de sete regiões no Norte de Espanha e no Sudoeste de França, com o objectivo de fundarem uma pátria Basca.A luta desta Organização foi violenta e sangrenta e ao longo do tempo fez dezenas de atentados que vitimaram próximo de um milhar de pessoas. Ao longo dos anos fez vários anúncios de cessar-fogo mas acabou sempre por não cumprir.Nos últimos anos, a Organização tem vindo a perder importância e protagonismo e uma boa parte dos seus quadros encontra-se na cadeia a cumprir penas muito pesadas, em resultado da perseguição que as autoridades espanholas lhe têm movido.

Será este pedido de cessar-fogo autêntico ou pelo contrário obedece a uma estratégia já anteriormente seguida de ganhar tempo para se poder reorganizar?

Acho que as autoridades espanholas têm todo o direito de desconfiar da intenção da ETA e não levarem a sério esta declaração, precisamente por ser feita no momento em que se encontra terrivelmente fragilizada e provavelmente querer ganhar tempo.

Usar a violência para reivindicar o que quer que seja, não faz sentido. Ainda que no começo a ETA contasse com a simpatia de uma parte das pessoas residentes nas regiões reivindicadas, a verdade é que, com o tempo, a organização foi perdendo esse precioso apoio, pois essas populações cansaram-se de uma guerra sem sentido e de ver morrer tanta gente inocente.

Tivesse a ETA enveredado por uma intervenção pacífica de índole política, por exemplo, e tivesse, ao mesmo tempo, investido os milhões gastos na luta armada, em operações de solidariedade para com os mais desfavorecidos dessas mesmas regiões e, provavelmente, a ETA em vez de estar enfraquecida, estaria muito mais forte.

Quem com ferros mata, com ferros morre. Ou ainda: ninguém faça mal esperando que lhe venha bem. São provérbios populares muito sábios que deviam merecer uma séria reflexão por parte de de quem se propõe alcançar objectivos à custa de fazer mal aos outros.

O crime não compensa. Nunca compensa. A ETA, está provavelmente agora a chegar a essa conclusão, depois de tantos anos a praticar horrores, matando inocentes e destroçando famílias.

Há também um ditado que diz: nunca é tarde para se arrepiar caminho. Porém, no caso da ETA, mais valeria que os seus actuais dirigentes acabassem com a sigla e começassem uma vida nova, desta vez sem armas e com a cara bem descoberta, reconquistando com actos e atitudes dignas, todos aqueles que lhe voltaram as costas e condenaram os seus crimes.
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Oxalá o seu anúncio de cessar fogo seja efectivamente para valer.



sábado, 4 de setembro de 2010

CASA PIA - UMA SENTENÇA TEMERÁRIA


Foi ontem lida a sentença relativamente ao Processo de Pedofilia da Casa Pia e, de facto, não me surpreendeu. Sinceramente, não esperava penas mais pesadas. Não porque os implicados nos crimes de abuso de menores não o merecessem mas essencialmente pelo caos em que se encontra a justiça portuguesa que só se tem mostrado forte e corajosa para quem não tem possibilidade de se defender.

Carlos Silvino, também ele vítima e depois abusador, levou a condenação mais pesada, 18 anos e os restantes, penas entre os 5 e os 7 anos. Muita gente descansou de alívio ao ouvir a sentença porque temia que Silvino fosse o único condenado.

O importante é que o tribunal lá arranjou alguma coragem para dar como provados uns quantos crimes, acabando por sentenciar, em cúmulo jurídico, cadeia efectiva para todos os arguidos, deixando de fora a Senhora que, pelos vistos, alugava a casa onde ocorriam os abusos em Elvas.

A mim não me interessa o que a imprensa escrita e falada noticia relativamente ao processo que agora foi julgado. Somente me interessa o veredicto do colectivo de juizes liderado por Ana Peres que depois de analisar ao longo de meia dúzia de anos as provas processuais, concluiu que os crimes de que eram acusados foram efectivamente cometidos e, por isso mesmo, todos os arguidos tinham que ser condenados.

Para mim, o julgamento acabou ontem, ainda que outros desfechos venham a acontecer. E, já agora, que o processo acabou, posso dizer que desde o início acreditei na versão das vítimas, considerando, portanto, que os acusados abusaram das crianças.

Dizem que ficou muita gente de fora que também se devia ter sentado no banco dos réus. Essas pessoas teiveram sorte porque os arguidos fizeram um pacto de silêncio e, por isso mesmo, jamais irão denunciá-las. Também se isso acontecesse, se algum dos condenados se desbocasse, estaria a acusar-se a si próprio e isso não vai acontecer, pelo menos enquanto gozarem de juízo perfeito.

Como atrás disse, o processo Casa Pia para mim terminou e não espero escrever mais uma letra sobre o tema. Assunto encerrado.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

PROCESSO DE PEDOFILIA DA CASA PIA


TEREMOS UM EPÍLOGO HONROSO E DECENTE, OU NEM POR ISSO?

Em princípio, será hoje lida a sentença do processo judicial mais mediático de que há memória na Justiça portuguesa e ninguém está livre de poder afirmar, depois de conhecido o veredicto que "a montanha pariu um rato".

O processo, ao longo dos 6 anos de percurso, já enfrentou innúmeras peripécias e tropelias, bem conhecidas dos portugueses, tendo sido despronunciados alguns arguidos que foram acusados pelas mesmas vítimas que implicam os que hoje vão estar sentados no banco dos réus para ouvir a sentença.

Miguel Matias, o advogado da maior parte das crianças abusadas diz que a pior coisa que poderia acontecer neste julgamento, era a absolvição dos arguidos e que em sua opinião, falta alguém no banco dos réus (Correio da manhã de 3.9.2010).

Neste Blog, referi-me algumas vezes ao Processo de Pedofilia da Casa Pia, limitando-me a escrever o que via publicado na Imprensa escrita e falada. Em nenhum momento afirmei o que quer que fosse, da minha autoria ou responsabilidade. Como vivemos num País livre e democrático, entendi que tinha todo o direito em abordar o tema da Pedofilia na Casa Pia, pouco me importando da proeminência das personalidades que estavam a ser acusadas. Se um qualquer cidadão pode ser escrutinado de toda a maneira e feitio, porque é que outros, só porque são poderosos, não o hão-de ser também? Então a nossa democracia que apregoa a igualdade de tratamento dos cidadãos, é só fachada? Se é só para inglês ver, acabe-se com essa fantochada de uma vez por todas e implante-se um regime que corresponda aos actos e atitudes dos seus governantes.

Mas vem tudo isto a propósito de algo bizarro que me aconteceu: a determinada altura, recebi um mail de uma personalidade que foi constituída arguida no Processo de Pedofilia da Casa Pia e que esteve presa preventivamente e depois foi despronunciada, a ameaçar-me que se voltasse a "escrever textos insultuosos e difamatórios a seu respeito, teria que tomar as devidas medidas".

Se o que saiu no meu blog foi sempre suportado pelas notícias que saíam na Imprensa, porque motivo tal proeminente personalidade teve o arrojo e o atrevimento de se dirigir à minha pessoa com ameaças?

Se tinha que pedir explicações, ameaçar e processar, seria mais lógico que o fizesse aos jornais e às televisões que todos os dias davam notícias a seu respeito e nunca a um anónimo cidadão que se limitava a reproduzir alguns excertos das notícias difundidas.

É claro que comigo as intimidações nunca surtiram efeito porque, acima de tudo, sou um cidadão honrado e impoluto que se rege por padrões éticos e morais muito elevados e, por isso mesmo, não temo ameaças nem consequências relativamente aos actos que pratico, já que os mesmos são devidamente ponderados e obedecem a todos os requisitos consagrados na Lei.

Posto isto, gostaria que fosse hoje proferida uma sentença exemplar que, de alguma forma, defendesse, no futuro, as crianças deste País e tivesse em conta o sofrimento de centenas de meninos e meninas da Casa Pia que ao longo de décadas foram usadas para satisfazer os vícios depravados e criminosos de gente poderosa, com grande influência e poder económico, social e político que nunca lhes passou pela cabeça que um dia poderiam prestar contas à justiça.

Não há democracia sem justiça. Sem ela, o caos toma conta das Instituições e do País e daí à anarquia e à insurreição, vai apenas um pequeno passo. Há sempre um momento em que é possível evitar grandes tragédias.

Que triunfe a justiça.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

INCRÍVEL DESRESPEITO PELOS SINAIS DE TRÂNSITO



No Verão, especialmente no mês de Agosto, frequento com alguma regularidade a Praia de Carcavelos. Como vivo na Alta de Lisboa, faço parte do percurso pela estrada marginal, a partir das imediações do Estádio Nacional.

Quem conhece este percurso, sabe que existem sinais de limite de velocidade mas que infelizmente muito poucos automobilistas respeitam. Eu pertenço àquele pequeníssimo número de condutores que respeita os sinais de trânsito e, por esse motivo, já fui inúmeras vezes incomodado por quem acha que os sinais de trânsito devem ser ignorados.

Embora respeite religiosamente os sinais de limite de velocidade, nestas deslocações à praia de Carcavelos, quase sempre me acontece ter que parar em todos os semáforos por causa de gente inconsciente que infringe descarada e impunemente o código de estrada, circulando a uma velocidade não permitida e furando perigosamente por todos os espaços por onde possam ultrapassar.

Já tem acontecido cair o vermelho nos semáforos e eu interrogar-me: mas porquê se eu não ultrapassei o limite de velocidade? De facto não fui eu que provoquei a mudança do sinal verde para vermelho mas foi um daqueles condutores irresponsáveis que ignoram os sinais de trânsito e circulam em excesso de velocidade e que com a maior das latas se imobilizam depois ali ao nosso lado, com cara de arruaceiros atrevidos, meio gozões, bem conscientes da merda que fizeram.
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Quem lhes seguir o rasto, verificará que logo no próximo sinal de limite de velocidade fazem a mesmíssima coisa e, por vezes, nem sequer param quando o sinal vermelho cai. É realmente impressionante o comportamento desobediente de certos condutores que ainda insultam e ameaçam qualquer um que se atreva a dizer-lhes alguma coisa.

É claro que este procedimento me irrita solenemente uma vez que sou obrigado a parar em todos os semáforos por culpa de pessoas irresponsáveis e sem civismo que não se incomodam com o transtorno e mal-estar que causam aos outros.

Se realmente a Polícia necessita de verbas, a marginal de Cascais é um bom local para "caçar" esses "artistas" do acelarador, pois quem assim desrespeita os sinais de trânsito, não merece contemplações por parte das autoridades policiais.
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A actuação dos agentes policiais quando tem a ver com autuações a estes figurões atrevidos e mal-educados, dá-me um especial gozo e só tenho pena que não seja possível "apanhá-los" a todos. Se isso fosse possível, haveria mais respeito nas estradas e muito menos sinistralidade.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

O MILLENIUM BCP É UM CANCRO MAS A BOLSA NÃO É PARA TODOS


Ainda hoje estou para saber porque razão caí na asneira de há cerca de um ano ter decidido empregar as minhas poucas economias adquirindo uns quantos milhares de acções do Millenium BCP em Bolsa.

A verdade é que, embora não sendo um expert na matéria, entendi que poderia fazer um bom negócio comprando acções de uma das maiores Instituições Bancárias do País, a 92 cêntimos, tendo em conta que as mesmas já valeram em bolsa mais de 5 euros.

Lembro-me que logo de seguida se verificou uma valorização, tendo a cotação ultrapassado 1 euro por acção e que a partir daí se iniciou uma queda vertiginosa das mesmas que só parou nos 60 cêntimos (!!!) e por aí se mantêm, num enervante e desesperante sobe e desce diário que dá muito jeito a todos quantos negoceiam diariamente em bolsa mas que é frustrante para quem, como eu, pretendeu realizar algumas mais-valias a curto ou a médio prazo.

Portanto, esta situação interessa a muita gente. Quase todos os dias, invariavelmente, as acções do Millenium BCP valorizam e desvalorizam (sobem e descem) 2, 3, 4 ou 5 cêntimos, imitando na perfeição o caranguejo mas servindo às mil maravilhas para proporcionar bons ganhos a quem compra e vende todos os dias.

Compreendo hoje que fiz uma péssima avaliação da grandeza e do valor do Millenium BCP, a começar pelos seus gestores, porque de facto não é um Banco com a capacidade e a estabilidade que lhe cheguei a reconhecer, situação profusamente denunciada na comunicação social com a divulgação de notícias escandalosas que não abonam a sua reputação e que são do conhecimento geral.

A cotação actual das acções do BCP (23.08.2010), é 62 cêntimos! Se realmente fosse um Banco com grande saúde financeira, as acções estariam ao preço da uva mijona, em saldo e já teria sido alvo de uma OPA; se isso não aconteceu é porque os potenciais investidores não vislumbram grande negócio e daí o desinteresse na sua compra.

No final de um ano, feitas as contas, uma vez que comprei as acções a 92 cêntimos e elas estão cotadas a 62, estou a arder com 30 cêntimos por acção o que equivale a uma desvalorização de cerca de 33%.

Não sei se chegarei a recuperar o meu investimento porque um dia destes canso-me desta situação e vendo as acções a qualquer preço mas uma coisa pelo menos eu aprendi: jamais investirei um cêntimo que seja em acções nacionais ou estrangeiras.

Esta actividade é muito perigosa para incautos como eu, já que, para além de não saberem nada sobre os segredos da bolsa, também não têm acesso às informações privilegiadas que muita gente bem relacionada recebe e à custa das quais realizam importantes mais-valias.

Que o Millenium BCP é um cancro maligno com poucas hipóteses de cura, não tenho dúvidas nenhumas mas pelos vistos, o resto da Banca portuguesa padece igualmente dessa doença corrosiva que mina e fragiliza as suas estruturas e que a pode "matar".

A não ser que haja qualquer acontecimento surpresa e um inesperado volte-face na actual situação estrutural e financeira do Millenium BCP, dificilmente ocorrerá uma valorização significativa das suas acções em Bolsa e, nesse sentido, tanto eu como aqueles que se encontram na mesma situação, terão muita dificuldade em reaver o dinheiro que investiram.

Gostaria de estar enganado quanto ao meu pessimismo mas de facto todos os indicadores confluem no mesmo ponto: O Millenium BCP é um cancro.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

AINDA HÁ MAIS ALGUMA COISA PARA ARDER?


Todos os anos é a mesma coisa, os fogos consomem milhares de hectares de matas, campos de cultivo, casas, equipamentos e deixam em desespero milhares de famílias que vivem das suas culturas, das suas matas e dos seus animais.

Ao ver toda esta tragédia, não posso deixar de pensar: como é possível? Não haveria forma de apostar forte na prevenção, limpando e vigiando as matas? Será que os milhões pagos a combater os incêndios e a pagar os seus prejuízos (uma pequena parte dos prejuízos), não dariam para pagar esses serviços? É que tal medida, para além de dar emprego a muita gente, evitava a delapidação de um património nacional valiosíssimo, a floresta, legado extraordinário das gerações que nos antecederam e que nós, pelos vistos, não sabemos ou não queremos preservar e respeitar.

Mas alguém me sabe responder porque raio não se aposta na prevenção e se consente que todos os anos se assista a este trágico espectáculo que para além dos astronómicos prejuízos materiais também queima e destrói vidas humanas?

Eu sou do tempo em que o território português, de Norte a Sul e de Este a Oeste, era coberto por um autêntico manto verde. Mesmo nos lugares mais recônditos e inóspitos havia árvores e vegetação. Quem viajava pelas estradas nacionais podia deleitar-se ou extasiar-se com essa paisagem verde, até perder de vista e mesmo ao longo das estradas havia sombra contínua devido ao imenso arvoredo que as rodeava.

Nos dias de hoje, nada disso é possível apreciar porque todo esse imenso arvoredo desapareceu consumido pelos sucessivos fogos florestais. O espectáculo que a nossa vista alcança é triste e desolador pois onde outrora existia muito verde e vida vegetal, hoje só existem terras despidas e negras e as pedras que o fogo não queimou.

Ao passar agora por esses lugares onde havia arvoredo exuberante e em muitos casos espécies seculares que nunca mais será possível recuperar, sou tomado por um sentimento de luto que me faz arrepiar e me deixa profundamente incomodado.

De uma coisa eu tenho a certeza: podem as condições climatéricas ser favoráveis ou difíceis, podem os meios de combate aos incêndios ser suficientes ou insuficientes e pode a boa vontade de quem os combate ser imensa que enquanto não se investir seriamente na prevenção, assistiremos, ano após ano, à completa delapidação das poucas manchas verdes que ainda restam.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

INCÊNDIOS FLORESTAIS NA RÚSSIA



Desde que começaram as medições das temperaturas na Rússia, já lá vão 130 anos que não eram registadas temperaturas tão elevadas. Para se ter uma ideia mais exacta do que está a acontecer, é preciso dizer que as temperaturas médias nesta época do ano na Rússia rondam os 22/23º C e este ano a média alcançou os 37/38º C, o que quer dizer que houve dias com mais de quarenta graus.

Aparentemente, os russos não estavam preparados para enfrentar uma tal calamidade e a verdade é que até ao momento já arderam mais de 700 mil hectares (7.000 Km2!), foram destruídas pelas chamas mais de 2.000 casas, há vários milhares de pessoas desalojadas e já morreram mais de meia centena de pessoas, continuando ainda activos mais de 500 fogos.

Um cidadão russo que estava a ser entrevistado e que ficou sem nada, dizia: "Os bombeiros são poucos e tudo arde sem que apareça ninguém". Esta frase transmite a ideia de que o fogo arde descontrolado, sem aparecerem os meios necessários ao seu combate.

Moscovo encontra-se envolvida em espessa cortina de fumo, obrigando as pessoas a usar máscaras e, ao mesmo tempo, a desviar o tráfego aéreo para outros aeroportos.

De tal forma é dramática a situação que o Governo Russo já autorizou a entrada de meios aéreos estrangeiros para ajudar no combate aos incêndios.

Dados estatísticos dizem que mais de 20% das colheitas de trigo já foram queimadas e como primeira medida, o Governo proibiu a exportação de cereais e seus derivados, colocando em dificuldade todos aqueles Países que importavam cereais da Rússia.

No combate aos fogos florestais, as autoridades russas ficaram uma vez mais muito mal na fotografia e é caso para dizer que esta Rússia já não é a potência de outrora, manifestamente incapaz e sem meios para combater eficazmente os fogos no País.

Embora as condições climatéricas sejam realmente excepcionais, a situação agravou-se porque parece que os fogos não foram combatidos com prontidão e eficácia, facto que levou o Presidente Dmitri Medvedev a destituir quadros e chefias militares.

Esperamos que com a ajuda dos Países que se prontificaram a prestar ajuda seja controlada a situação.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

MÁRIO BETTENCOURT RESENDES


A morte não escolhe idade...
A vida, por vezes prega-nos destas partidas. Aos 58 anos de idade, Mário Bettencourt Resendes, depois de lutar heroicamente durante vários anos contra o cancro, este acabou por roubar-lhe a vida no passado dia 2 de Agosto.

Pessoalmente, admirava o Homem, o Jornalista e o Comentador político, pela sua grande estatura moral e intelectual, respeitador de valores, isento, íntegro e impoluto.

Mário Bettencourt Resendes foi um homem de grande coragem e carácter, incapaz de praticar uma deslealdade. Que o seu exemplo de vida possa ser seguido por todos aqueles a quem Deus continua a conceder o privilégio de viver, conquistando como ele, o respeito, a admiração e o reconhecimento de todos.
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Paz à sua alma.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

O IMENSO PODER DA INDÚSTRIA PETROLÍFERA!

Há no Mundo gigantescos interesses que através do seu imenso poderio económico, impedem que a ciência crie tecnologias alternativas que lhes façam concorrência e que, todavia, seriam muito mais económicas e vantajosas para o bem-estar da humanidade. É o caso da indústria petrolífera.



Sempre acreditei que a dependência do petróleo não é uma fatalidade mas ao mesmo tempo tenho-me interrogado porque é que até agora não foram postas em prática as iúmeras invenções científicas de energias alternativas que o substituiriam com enorme vantagem?



Sempre ouvi dizer que a energia solar, a água, os biocombustíveis e outras, poderiam substituir o petróleo e com muita mais eficácia por serem menos poluentes.



Ora, sabendo-se que as reservas petrolíferas não vão durar eternamente e têm um elevado custo de exploração, porque motivo não são aproveitadas e postas em prática as energias alternativas que permitiriam ao homem utilizar o mesmo tipo de transportes com grande vantagem sobre o petróleo?


A resposta está no vídeo que recentemente recebi no meu mail e que com todo o prazer partilho


com os frequentadores do meu Blogue.






quinta-feira, 24 de junho de 2010

VERGONHA NACIONAL!!!!!!

Ao ver este vídio publicado na imprensa diária, da autoria da TVI, não resisti a publicá-lo no meu blogue porque numa altura em que os portugueses são sujeitos a grandes sacrifícios para pagar os desmandos de um Governo ruinoso, o Senhor Presidente da Assembleia da República, dá-se ao luxo de renovar a frota de veículos automóveis afectos aos deputados que exercem cargos no âmbito da AR, custando tal operação ao erário público e aos contribuintes portugueses cerca de um milhão de euros!
Não há decoro por parte das entidades públicas e o regabofe continua, tanto em tempo de vacas gordas como em tempo de vacas magras. Pudera!!! O Zé Pagode, mais conhecido por Zé Povinho, paga sem pestanejar todos os luxos que Suas Excelências, os representantes do Povo decidam rodear-se.
Infelizmente, o que se passa na Assembleia da República, é o espelho do que se passa em centenas ou milhares de outros locais do Estado e da Administração Pública, em todo o território nacional.
Muitos casos deste género, são oportunamente denunciados pela imprensa, mas outros nem sequer chegam ao conhecimento dos cidadãos.
Como é que este País, com tais procedimentos, poderá algum dia equilibrar as finanças públicas e canalizar boa parte das receitas para ajudar aqueles que sempre foram prejudicados?
O que é que acham?

terça-feira, 22 de junho de 2010

NADA É ETERNO

JOSÉ SARAMAGO deixou o mundo dos vivos aos 87 anos de idade. Outros contemporâneos, seus amigos e mais velhos, ainda continuam a respirar oxigénio e a conviver com essa luz maravilhosa que o sol irradia tão intensamente, diariamente. Viver aos 88, 90, 95, 100 anos..., é um privilégio a que nem todos têm direito, pois uma imensidão morre prematuramente, sem atingir a velhice e sem concretizar as realizações que idealizou.

Ora, com José Saramago isso não aconteceu. Não obstante ter iniciado tarde a sua actividade literária, a verdade é que a exerceu com grande intensidade, produzindo dezenas de obras literárias, algumas de grande notoriedade mas também muito polémicas que lhe mereceram, ainda em vida, o título literário mais valioso "O Prémio Nobel da Literatura".
É claro que a sua prosa não mereceu o reconhecimento, respeito e admiração de todos os portugueses, tendo sido objecto de duras (e infundadas?) críticas, mas essa é uma situação a que todos os homens estão sujeitos, independentemente da raça, cor, confissão religiosa ou política a que cada um pertença.
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SARAMAGO deu grande prestígio ao País e à literatura portuguesa e, de certa forma, durante alguns anos, viveu amargurado pelo forma como os governantes portugueses o trataram. Essa sua amargura levou-o ao "exílio" e a viver uma grande parte dos últimos anos da sua vida na ilha espanhola de Lanzarote, onde fixou residência em 1993.

Embora nunca o tenha acompanhado nas suas convicções políticas nem mesmo tenha conseguido ler integralmente nenhuma das suas obras, não deixo de ter alguma admiração pelo homem da Azinhaga do Ribatejo, teimoso e persistente que venceu a interioridade e o desconhecido e se transformou num dos homens mais famosos e badalados da literatura mundial.

Nesse sentido, curvo-me respeitoso perante o homem e a sua obra e, como católico que sou, peço a Deus paz para a sua alma.

terça-feira, 15 de junho de 2010

UM PRESENTE ENVENENADO

Passos Coelho jogou o seu futuro político ao decidir estender a mão ao Primeiro-Ministro José Sócrates e jogou esse precioso trunfo com extraordinária mestria, mesmo não tendo colhido o apoio e a concordância de todo o Partido.

Para quem tem ambições políticas e aspira ser Primeiro Ministro, o que faria mais sentido, seria voltar as costas ao seu adversário político e deixá-lo cair, emaranhado nas teias que ele próprio teceu com mentiras, arrogância, incompetência e episódios de puros actos de vingança.

Passos Coelho estendeu a mão a Sócrates porque sabia que estava a estender a mão a um "moribundo". No fundo, no fundo, aos olhos da opinião pública, o gesto é bonito e conquistou a sua simpatia mas a intenção de Paços Coelho foi deixar o ainda Primeiro Ministro cozer em lume brando, até ao momento que achar mais adequado para ocupar o seu lugar.

O líder laranja, contra algumas vozes do seu Partido, seguiu a sua própria estratégia e apostou no desgaste do líder socialista, já que provocar a queda do Governo, seria prestar um enorme favor ao Primeiro-Ministro que assim sairia de cena, num dos momentos económicos mais graves dos últimos 100 anos, ainda antes de o País conhecer a verdadeira dimensão dos problemas que ele próprio arranjou.

Passos Coelho já está a colher dividendos da sua estratégia porque finalmente o Governo e o Primeiro Ministro estão a ser constantemente desmentidos de todos os embustes produzidos ao longo desta e da anterior legislatura e agora todos os portugueses sabem a real situação económica do País e o preço que cada um vai pagar para evitar a banca-rota.

Se Passos Coelho tivesse provocado a queda do Governo, teria de ser ele a tomar todas as medidas impopulares do PEC e a ser responsabilizado por elas, mesmo não as tendo provocado porque os portugueses, normalmente, têm memória curta.

A Sócrates saiu-lhe o tiro pela culatra porque não obstante ter tentado, através de diversas manobras de diversão, provocar eleições antecipadas, nem o líder do PSD nem os líderes dos outros partidos foram no seu engôdo e lhe deram essa satisfação.

Passos Coelho tem agora todas as condições para vencer as próximas eleições legislativas com maioria e não será muito difícil governar melhor que o seu antecessor, desde que adopte uma postura de humildade, seja honesto e não minta aos portugueses.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

TUDO LHES SERVE PARA SE FAZEREM NOTADOS!


Coitados! Tudo lhes serve para se fazerem notados! À falta de honorabilidade, sabedoria e competência para, com merecimento, ganharem o nosso apreço, respeito e consideração, enveredam por críticas sem sentido, injustas e ridículas, tentando pôr em causa o resultado de muitos dias de trabalho, feito por pessoas isentas, competentes e honestas.

Foi o que fez um pseudo-intelectual de meia tigela que até é deputado do Bloco de Esquerda, ao insurgir-se contra a coordenadora do projecto educacional "Reviver 100 Anos de História" que promove um desfile de mais de mil crianças em Aveiro, nas comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, com quadros representativos de várias épocas, desde a monarquia, passando pela implantação da República, Estado Novo, 25 de Abril e, por último, um quadro sobre a multiculturalidade, representando a actualidade, com a existência de escolas com múltiplas nacionalidades e onde se cruzam múltiplas etnias.

O deputado do BE questionou o Ministério da Educação sobre se tinha conhecimento da iniciativa que, segundo ele, "obriga alunos menores de idade a serem actores num acto laudatório e acrítico de uma página negra da história de Portugal
Joaquina Mourato, a coordenadora do projecto, em resposta, garantiu à Lusa: "Não vai haver nenhum desfile da MP, não vai haver ninguém a recriar a MP, não vai haver nenhuma criança a cantar o hino da MP" e acrescentou que o deputado do BE "contestou aquilo que não existe" e "afirmou que iria acontecer uma coisa que não vai acontecer".

Francamente! Querer ganhar protagonismo à custa de um quadro representativo da Mocidade Portuguesa, integrado num projecto muito mais vasto que pretende, única e exclusivamente, passar em revista 100 anos da História de Portugal, é algo que um cidadão minimamente esclarecido e, ao mesmo tempo, política e intelectualmente honesto, jamais deveria fazer, mas aos 60 anos de idade, depois de tudo quanto já tive a dita e a desdita de presenciar, nada, mas mesmo nada me admira ou surpreende.

As motivações deste deputado, provavelmente são as mesmas que levaram outro deputado bloquista a interpor uma providencia cautelar para embargar as obras do túnel do Marquês, com as consequências nefastas que todos conhecemos, para os automobilistas e para o erário público.

Lamentável que haja pessoas tão facciosas e mesquinhas que tenham da História de Portugal uma visão tão redutora. Tais pessoas não vêem a História de Portugal como um todo, como se a mesma pudesse ser amputada das partes de que não gostam. São pessoas que pensam e agem desta forma que não respeitam os ex-Combatentes e o Regime que eles patrioticamente serviram e pelos vistos também odeiam a Mocidade Portuguesa, uma organização juvenil do Estado Novo que pretendia abranger toda a juventude - escolar ou não - e tinha como fins, estimular o desenvolvimento integral da sua capacidade física, a formação do carácter e a devoção à Pátria, no sentimento da ordem, no gosto da disciplina, no culto dos deveres morais, cívicos e militares. A ela deveriam pertencer obrigatoriamente os jovens dos sete aos 14 anos. Os seus membros estavam divididos por quatro escalões etários: os lusitos (dos 7 aos 10 anos); os infantes (dos 10 aos 14 anos); os vanguardistas (dos 14 aos 17 anos) e os cadetes (dos 17 aos 25 anos).

Por casualidade, não pertenci à Mocidade Portuguesa mas se tivesse integrado as suas fileiras, estaria hoje de consciência tão tranquila, como estou pelo facto de ter servido a Pátria na Guerra Colonial em Angola. De nada tenho que me arrepender porque cumpri os meus deveres cívicos e em nenhum momento admiti encarnar o papel de traidor.

Mas quem se insurge de forma tão hostil pelo facto de uns quantos jovens recriarem e integrarem um desfile com quadros alusivos aos últimos 100 anos da história de Portugal vestidos com a farda da Mocidade Portuguesa, é porque tem grandes queixas dessa organização.

Na Mocidade Portuguesa, os jovens aprendiam a arte do crime? Então, quais foram os crimes que esses jovens cometeram?

Com um pensamento desta natureza, tais pessoas deviam ser proibidas de utilizar certos equipamentos construídos no período do Estado Novo, no tal período que apelidam de "página negra da História de Portugal", nomeadamente pontes, estradas e caminhos-de-ferro.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

FANTÁSTICO!!! A ÁGUA TEM SENTIMENTOS!!!


Fantástico! A água tem sentimentos! Perante diferentes situações, reage de forma diversa!

Se me tivessem colocado esta questão antes de conhecer algumas obras literárias do Dr. Masaru Emoto, um reputado investigador japonês, reconhecido internacionalmente, ter-me-ia rido e feito um mau juízo do meu interlocutor.

Porém, depois de ler "As Mensagens Escondidas na Água", "A Vida Secreta da Água" e "O Verdadeiro Poder da Água", tornei-me um verdadeiro admirador do trabalho desenvolvido pelo Dr. Emoto que me encantou e no qual acredito totalmente, independentemente do que pense a Comunidade Científica Mundial.

O Dr. Masaru Emoto, usando fotografia de alta velocidade, descobriu que os cristais formados em água gelada revelam alterações quando lhes são dirigidos pensamentos específicos e concentrados. Descobriu que a água proveniente de fontes límpidas e a água exposta a palavras de amor exibem padrões de flocos de neve brilhantes, complexos e coloridos.

Em contraste, a água poluída ou a água exposta a pensamentos negativos formam padrões incompletos e assimétricos, com cores baças.

Com o trabalho do Dr. Emoto, temos evidências factuais de que a energia humana vibracional, os pensamentos, as palavras, as idéias e a música afectam a estrutura molecular da água, a mesma água que compõe 70% do corpo humano adulto e cobre a mesma porcentagem do nosso planeta.
A água é a fonte de toda a vida neste planeta e a sua qualidade e integridade são vitalmente importantes para todas as formas de vida. O corpo é semelhante a uma esponja e é composto de cerca de sessenta triliões de células que contêm líquidos. A qualidade da nossa vida está directamente ligada à qualidade da nossa água.

A água é uma substância muito maleável. A sua forma física adapta-se facilmente a qualquer ambiente. Mas sua aparência física não é a única coisa que muda: a sua forma molecular também se altera. A energia ou as vibrações do meio ambiente mudarão a forma molecular da água. Nesse sentido, a água não só tem a capacidade de reflectir visualmente o meio ambiente, mas ela reflecte também esse meio ambiente a nível molecular.

Este é um tema de que eu nunca tinha ouvido falar mas depois de ler os livros atrás referidos, descritos de uma forma tão bela, lógica e compreensível que como disse me fascinaram, jamais poderei observar a água como o fazia até então, passando a respeitá-la muito mais e a agradecer e a bendizer cada decilitro de tão precioso líquido que bebo, vibrando em contacto com água pura e límpida e sofrendo quando encontrar água poluída e morta. A vida humana está directamente ligada à qualidade da água, tanto dentro como ao nosso redor, já que o corpo humano, enquanto feto, é 99% água, quande nasce 90% e quando adulto 70%. Sem água não seria possível existir vida no Planeta, por isso, a água é vida.

Cabe à humanidade reflectir e penitenciar-se sobre todo mal que tem feito à Á-G-U-A e passar a tratá-la com carinho e amor, respeitando-a e venerando-a, tal como sugere o Dr. Masaru Emoto.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

CONTRA-MÃO

Por Joaquim Letria, 4 de Maio de 2010

SÓCRATES PARECE aqueles velhinhos que se metem pelas auto estradas em contra-mão, com o Teixeira dos Santos no lugar do morto, a gritarem que os outros é que vêm ao contrário.

De rabo entre as pernas, fartinhos de saberem que estavam errados, não conseguem agora disfarçar o mal que nos fizeram.

Ainda estão a despedirem-se, agradecidos, do Constâncio, e já deram a mão a Passos Coelho, que lhes jura que conhece uma saída perto e sem portagem.

Estamos bem entregues! Vão-nos servindo a sopa do Sidónio, à custa dos milhões que ainda recebem da Europa; andam pelo mundo fora sem vergonha, de mão estendida, a mendigar e a rapar tachos, tratados pelos credores como caloteiros perigosos e mentirosos de má-fé.

Quando Guterres chegou ao Governo, a dívida pouco passava dos 10% do PIB. 15 anos de Guterres, Barroso, Sócrates e de muitos negócios duvidosos, puseram-nos a dever 120% do PIB.

Esta tropa fandanga deu com os burrinhos na água, não serve para nada e o Estado do próprio regime se encarrega de o demonstrar. Falharam todas as apostas essenciais. Todos os dias se mostram incapazes. Mas com o Guterres nos refugiados, o Sampaio nos tuberculosos e na Fundação Figo, o Constâncio no Banco Central e o Barroso em Bruxelas, a gente foge para onde?!

A LEI 2105

Artigos de Opinião 2010-04-06 12:48

Acabemos de vez com este desbragamento, este verdadeiro insulto à dignidade de quem trabalha para conseguir atingir a meta de pagar as contas no fim do mês.

Corria o ano de 1960 quando foi publicada no "Diário do Governo" de 6 de Junho a Lei 2105, com a assinatura de Américo Tomaz, Presidente da República, e do Presidente do Conselho de Ministros, Oliveira Salazar. Conforme nos descreve Pedro Jorge de Castro no seu livro "Salazar e os milionários", publicado pela Quetzal em 2009, essa lei destinou-se a disciplinar e moralizar as remunerações recebidas pelos gestores do Estado, fosse em que tipo de estabelecimentos fosse. Eram abrangidos os organismos estatais, as empresas concessionárias de serviços públicos onde o Estado tivesse participação accionista, ou ainda aquelas que usufruíssem de financiamentos públicos ou "que explorassem actividades em regime de exclusivo". Não escapava nada onde houvesse investimento do dinheiro dos contribuintes. E que dizia, em resumo, a Lei 2105? Dizia que ninguém que ocupasse esses lugares de responsabilidade pública podia ganhar mais do que um Ministro. Claro que muitos empresários andaram logo a espiolhar as falhas e os buraquinhos por onde a 2105 pudesse ser torneada, o que terão de certo modo conseguido devido à redacção do diploma, que permitia aos administradores, segundo transcreve o autor do livro, "receber ainda importâncias até ao limite estabelecido, se aos empregados e trabalhadores da empresa for atribuída participação nos lucros".

A publicação desta lei altamente moralizadora ocorreu no Estado Novo de Salazar, vai dentro de 2 meses fazer 50 anos. Catorze anos depois desta lei "fascista", em 13 de Setembro de 1974 (e seguindo sempre o que nos explica o livro de Pedro Castro), o Governo de Vasco Gonçalves, recém-saído do 25 de Abril, pegou na ambiguidade da Lei 2105 e, através do Decreto Lei 446/74, limitou os vencimentos dos gestores públicos e semi-públicos ao salário máximo de 1,5 vezes ovencimento de um Secretário de Estado.

Vendo bem, Vasco Gonçalves, Silva Lopes e Rui Vilar, quando assinaram o 446/74, passaram simplesmente os vencimentos dos gestores do Estado do dobro do que ganhava um Ministro para uma vez e meia do que ganhava um Secretáriode Estado. O Decreto-Lei justificava a correcção pelo facto da redacção pouco precisa da 2105 permitir "interpretações abusivas" permitindo "elevados vencimentos e não menos excessivas pensões de reforma".

Ao lermos esta legislação hoje, dá a impressão que se mudou, não de país, mas de planeta, porque isto era no tempo do "fascismo" (Lei 2105) ou do "comunismo" (Dec. Lei 446/74). Agora, é tudo muito melhor, sobretudo para os reis da fartazana que são os gestores do Estado dos nossos dias.

Não admira, porque mudando-se os tempos, mudam-se as vontades, e onde o sector do Estado pesava 17% do PIB no auge da guerra colonial, com todas as suas brutais despesas, pesa agora 50%. E, como todos sabemos, é preciso gente muito competente e soberanamente bem paga para gerir os nossos dinheirinhos. Tão bem paga é essa gente que o homem que preside aos destinos da TAP, Fernando Pinto, que é o campeão dos salários de empresas públicas em Portugal (se fosse no Brasil, de onde veio, o problema não era nosso), ganha a monstruosidade de 420.000 euros por mês, um "pouco" mais que Henrique Granadeiro, o presidente da PT, o qual aufere a módica quantia de 365.000 mensais.

Aliás, estes dois são apenas o topo de uma imensa corte de gente que come e dorme à sombra do orçamento e do sacrifício dos contribuintes, como se pode ver pela lista divulgada recentemente por um jornal semanário, onde vêm nomes sonantes da nossa praça, dignos representantes do despautério e da pouca vergonha a que chegou a vida pública portuguesa.

Assim - e seguindo sempre a linha do que foi publicado - conhecem-se 14 gestores públicos que ganham mais de 100.000 euros por mês, dos quais 10 vencem mais de 200.000. O ex-governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, o mesmo que estima à centésima o valor do défice português, embora nunca tenha acertado no seu valor real, ganhava 250.000 euros/mês, antes de ir para o exílio dourado de Vice-Presidente do Banco Central Europeu. Não averiguei quanto irá vencer pela Europa, mas quase aposto que não será tanto como ganhava aqui na santa terra lusitana.

Entretanto, para poupar uns 400 milhões nas deficitárias contas do Estado, o governo não hesita em cortar benefícios fiscais a pessoas que ganham por mês um centésimo, ou mesmo 200 e 300 vezes menos que os homens (porque, curiosamente, são todos homens...) da lista dourada que o "Sol" deu à luz há pouco tempo. Curioso é também comparar este valores salariais com os que vemos pagar a personalidades mundiais como o Presidente e o Vice-Presidente dos EUA, os Presidentes da França, da Rússia, e... de Portugal.

Acabemos de vez com este desbragamento, este verdadeiro insulto à dignidade de quem trabalha para conseguir atingir a meta de pagar as contas no fim do mês. Não é preciso muito, nem sequer é preciso ir tão longe como o DL 446 de Vasco Gonçalves, Silva Lopes e Rui Vilar: basta ressuscitar a velhinha, mas pelos vistos revolucionária Lei 2105, assinada há 50 anos por Oliveira Salazar.

Que tristeza!

sábado, 15 de maio de 2010

MORREU O PROF. DR. JOSÉ LUIS SALDANHA SANCHES


O que dizer de homem tão corajoso, íntegro e distinto?

A sua vida fala por si e o seu legado é de tal forma grandioso que não tenho palavras para exprimir o que sinto relativamente à sua incessante luta pela dignificação da vida pública.

Um homem com H grande que nunca se vergou a nenhum dos Poderes instituídos, um verdadeiro campeão contra a corrupção e contra tantos outros desvarios praticados na vida pública portuguesa.

As suas arrojadas intervenções públicas, escritas e faladas, ficam como exemplo e testemunho para todos os portugueses que tenham a coragem de seguir o seu exemplo de enormíssima dignidade de cidadão honrado e impoluto, de antes quebrar que torcer.
Ainda recentemente, sobre o PEC, Saldanha Sanches, escrevia na sua crónica:

“O PEC é a factura que vamos pagar por anos e anos de saque organizado e contínuo dos recursos públicos, por uma vasta quadrilha pluripartidária que vive de comissões, subornos e tráfico de influências. As derrapagens, sempre as derrapagens...”.

E já no leito da morte, Deus ainda lhe deu oportunidade para lançar mais um grito de revolta, naquela que seria a sua última crónica, contra "OS PAPA-REFORMAS", contra aqueles que acumulam reformas mas também contra as Instituições que as concedem, sem qualquer critério ou merecimento, pois muitas delas são usufruídas por "cidadãos bem protegidos pelo sistema, privilegiados e sortudos" que ao todo, não contabilizam mais do que meia dúzia de anos de trabalho, facto que constitui uma afronta para milhões de portugueses que no final de uma vida de trabalho, têm à sua espera uma reforma de miséria, inferior ao ordenado mínimo nacional.

Rendo-me à coragem e verticalidade de um Homem extraordinário que tão prematuramente nos deixou e tanta falta nos faz e presto-lhe a minha mais profunda e sentida homenagem.

Adeus até sempre, SALDANHA SANCHES.