O Director Nacional da Polícia Judiciária fez ultimamente declarações bombásticas acerca da criminalidade em Portugal, desmentindo todos aqueles que acham que a criminalidade aumentou nos últimos anos.
Luis Neves foi categórico ao afirmar que a criminalidade não aumentou em Portugal e que até tem diminuído. Baseou-se em documentos de perquisa à evolução da criminalidade nos últimos 20 ou 30 anos. O Director da Judiciária diz que se fala em "percepções" de insegurança mas que não há nenhum estudo científico validado relativamente a essa matéria.
Em suma, o Director Nacional da Judiciária, lá do alto da sua cátedra, teve o cuidado de desconstruir todas as teses que diziam que a criminalidade aumentou em Portugal nos últimos anos, deixando de boca aberta todos aqueles que tinham feito afirmações em sentido contrário.
Pois bem, passado muito pouco tempo sobre essas infelizes declarações do Dr. Luis Neves, aparecem agora notícias na comunicação social a dizer precisamente o contrário e a desmentir as bacoradas do Director da PJ, nomeadamente que o crime violento aumentou.
Mas quando esta polémica ainda estava tão fresca, vem de novo o Director da PJ protagonizar mais um episódio lamentável que se resume no seguinte: Foram feitas buscas na Federação Portuguesa de Futebol e decorre uma investigação sobre possíveis actos de corrupção na venda de um imóvel que devia ter sido transaccionado por cerca de 11 ou 12 milhões de euros e apenas aparecem nas contas da Federação um pouco mais de 3 milhões.
Pois bem, o Director da PJ garantiu que Fernando Gomes, ex-presidente da FPF e Tiago Craveiro, ex-director geral da FPF, não são suspeitos na investigação lançada sobre a FPF. Mas disse mais o Director da PJ: "Fernando Gomes e Tiago Craveiro não são visados nesta investigação, que já tem anos, tem um objecto bem delimitado e temos os suspeitos bem identificados".
Perguntamos: Com que autoridade pôde o Director da PJ ilibar o ex-presidente e o ex-director geral da FPF quando ainda decorre a referida investigação? E porque se substitiu o Director da PJ ao Ministério Público, entidade a quem competia pronunciar-se sobre as questões processuais da Investigação?
Sinceramente, esta actuação do Director da PJ é completamente descabida e não se compreende. Nesse sentido, só há uma saída para esta grave calinada que é demiti-lo imediatamente do cargo.
Precisamos de pessoas responsáveis em todos os sectores de actividade da vida portuguesa. Chega de corrupção, compadrio, amiguismo, nepotismo e tantos outros crimes que têm contribuído para o empobrecimento de Portuggal e dos portugueses.