Há pormenores desinteressantes neste movimento que diz reivindicar mais e melhor habitação, bem como rendas acessíveis e que acabem os despejos quando não houver alternativa habitacional.
Mas há de facto pormenores nos protagonistas destas acampadas que nos fazem duvidar das suas verdadeiras intenções, senão vejamos:
- Os manifestantes, na sua grande maioria, utilizam cachecois, lenços e bandeiras da Palestina e há também bandeiras LGBT. O que têm estes símbolos a ver com a habitação em Portugal?
- Por outro lado, sendo um movimento português que diz lutar por melhor habitação em Portugal, a maioria dos seus porta-vozes, estranhamente, são de nacionalidade estrangeira. Isto quer dizer que os estrangeiros que nos seus países de origem, onde há problemas de habitação muito mais graves, não têm coragem para levantar a voz, fazem-no no nosso País porque a nossa branda democracia tudo permite.
- Umas centenas de pessoas arrogam-se ao direito de falar em nome do povo e dos portugueses em geral e os tais porta-vozes, em vez de aproveitarem os microfones das diferentes estações de televisão para informar sobre os seus contributos para ajudar a resolver o gravíssimo problema da habitação em Portugal, gastam o tempo a fazer acusações às forças da ordem, ao governo e aos autarcas e, em muitos casos a fazer apêlos à rebelião.
- Depois, um movimento reivindicativo tão patriota e com tão boas intenções, devia respeitar o património que é de todos e evitar sujar e grafitar os monumentos e também, se não fosse pedir muito, respeitar as leis e as forças de segurança.
- É também um movimento sem ideias próprias, uma vez que até importou a forma reivindicativa dos espanhóis, com as "acampadas" que aconteceram no final de Setembro de 2026, em Madrid, na Puerta del Sol, desencadeado pelo despejo de MARICARMEN Abascai, uma idosa de 87 anos que vivia há décadas no centro da cidade.
Espero que as Forças de Segurança não concedam a este ou a outro qualquer movimento reivindicativo a possibbilidade de importar para Portugal a tragédia francesa provocada pelos encapuzados vestidos de negro, que arrombaram, pilharam e incendiaram milhares de comércios e espalharam o terror e o caos por toda a França.
Há de facto um grande problema habitacional em Portugal para resolver mas não vão ser estes movimentos inorgânicos e indisciplinados que vão resolver o problema. O problema da habitação que não foi resolvido em décadas, não vai agora ser resolvido da noite para o dia. Porém, nada mais pode ser como dantes. O Governo e a Oposição têm que unir esforços e dedicar à habitação um maior esforço orçamental, de forma a que o Estado possa dobrar a construção de habitações acessíveis ao esforço financeiro dos portugueses com mais dificuldades económicas.

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