O AMOR É COMO O TEMPO
O amor entre dois corações
Devia ser brisa constante,
Suave, serena, sem estações,
Eternamente
harmonizante.
Devia viver em cada dia
Com ternura, paz e
compreensão,
Num laço feito de alegria,
Sem sombras no
coração.
Mas a vida, sábia e imperfeita,
Mostra-nos
outro sentir:
Nem sempre a chama é perfeita,
Nem sempre é
fácil florir.
O nosso amor é como o tempo,
Caprichoso no
seu andar:
Ora ardente, pleno, intenso,
Como o Verão a
brilhar.
Ora leve, doce e colorido,
Risonho como a
Primavera,
Onde tudo é mais florido
E a alma em festa
espera.
Mas há dias de folha caída,
Silêncios de
um Outono interior,
Onde a chama parece perdida
E se
entristece o amor.
E chegam também frios instantes,
De Inverno
duro e agreste,
Com palavras menos tolerantes
E um céu
cinzento que entristece.
Mas mesmo nesses dias sombrios,
Há algo que
insiste em ficar:
Um calor escondido nos vazios,
Uma
vontade de recomeçar.
Porque o amor, embora inconstante,
Tem raízes
que não se vão,
E volta, firme e radiante,
Ao calor do
Verão.
E regressa, leve e singelo,
Como a Primavera
em flor,
Recordando, doce e belo,
Que vale sempre a pena o
amor.
(mcm)
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