quinta-feira, 9 de abril de 2026

POEMA - O AMOR É COMO O TEMPO

 

O AMOR É COMO O TEMPO

O amor entre dois corações
Devia ser brisa constante,
Suave, serena, sem estações,
Eternamente harmonizante.

Devia viver em cada dia
Com ternura, paz e compreensão,
Num laço feito de alegria,
Sem sombras no coração.

Mas a vida, sábia e imperfeita,
Mostra-nos outro sentir:
Nem sempre a chama é perfeita,
Nem sempre é fácil florir.

O nosso amor é como o tempo,
Caprichoso no seu andar:
Ora ardente, pleno, intenso,
Como o Verão a brilhar.

Ora leve, doce e colorido,
Risonho como a Primavera,
Onde tudo é mais florido
E a alma em festa espera. 

Mas há dias de folha caída,
Silêncios de um Outono interior,
Onde a chama parece perdida
E se entristece o amor.

E chegam também frios instantes,
De Inverno duro e agreste,
Com palavras menos tolerantes
E um céu cinzento que entristece.

Mas mesmo nesses dias sombrios,
Há algo que insiste em ficar:
Um calor escondido nos vazios,
Uma vontade de recomeçar.

Porque o amor, embora inconstante,
Tem raízes que não se vão,
E volta, firme e radiante,
Ao calor do Verão.

E regressa, leve e singelo,
Como a Primavera em flor,
Recordando, doce e belo,
Que vale sempre a pena o amor.

(mcm)

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