domingo, 23 de agosto de 2026

COM A VELHICE APRENDI A NÃO TER PRESSA

 


Com a idade aprendi a não ter pressa,

a deixar que o tempo siga o seu caminho,
sem querer atalhar-lhe a corrente,
sem exigir que caminhe mais depressa
só porque eu quero chegar mais cedo.

Aprendi que os dias têm vinte e quatro horas,
que a semana sete dias há-de ter,
que o mês trinta ou trinta e um encerra,
e o ano trezentos e sessenta e cinco
sem que a pressa os possa fazer correr.

Por isso hoje caminho devagar,
e em cada passo encontro uma razão;
já não corro atrás do tempo,
nem deixo que a pressa me roube
o prazer de viver cada momento.

Agora faço cada coisa a seu tempo,
sem relógio a comandar o meu viver;
se algo merece tempo, dou-lhe tempo,
porque aprendi, talvez um pouco tarde,
que viver também é saber permanecer.

O tempo das correrias já passou,
já não é esse o tempo que é o meu;
agora quero saborear os dias,
encontrar pequenas alegrias
nas coisas simples que a vida me deu.

Quero fazer aquilo de que gosto,
aquilo que me traga satisfação,
sem a ansiedade de chegar primeiro,
pois descobri que, muitas vezes,
chegar em paz vale mais que chegar na dianteira
.

E a idade, sem pedir licença,
foi mudando a forma de eu olhar:
hoje compreendo melhor as fragilidades
de quem, como eu, procura caminhar
num mundo onde ninguém é perfeito.

Por isso, tantas revoltas se calaram,
tantas mágoas perderam o sentido;
o que ontem parecia imperdoável
hoje encontro forças para perdoar,
e até o que doeu ficou mais esquecido.

Estou mais atento à dor dos outros,
mais disponível para compreender,
porque aprendi que cada ser humano
carrega uma história que não vemos
e batalhas que ninguém sabe conhecer.

Talvez seja esta a lição da idade:
não nos tornar melhores que ninguém,
mas fazer-nos olhar com mais ternura
para a fraqueza de quem sofre
e para a nossa própria fraqueza também.

A velhice mudou o meu olhar
sobre as pessoas, a vida e o mundo;
e se o tempo me roubou alguma coisa,
deu-me em troca uma serenidade
que hoje guardo bem fundo.

Já não quero vencer o tempo,
nem obrigá-lo a parar ou acelerar;
quero apenas viver cada dia
com a calma de quem finalmente aprendeu
que há tempo para tudo…
e que viver é, sobretudo,
saber esperar.

Hoje caminho sem pressa,
sem medo de chegar depois.
Porque descobri, ao longo da vida,
que quando deixamos de correr atrás do tempo,
começamos finalmente

a ter tempo para nós.

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