Sinceramente, penso que em parte, esse pensamento das pessoas estará correcto, atendendo a que essas organizações com ramificações em todo o mundo, exigem uma imensa estrutura em equipamentos e em matéria humana. Haverá concerteza voluntários que prescindem de qualquer tipo de remuneração porque têm posses e decidiram dedicar o seu tempo e as suas economias a ajudar os mais desfavorecidos. Porém, haverá muitos funcionários nessas organizações que não terão poder económico e que vivem exclusivamente das remunerações que recebem pelo trabalho missionário que realizam a ajudar quem precisa.
Na verdade, o ser humano não é perfeito e, infelizmente, por vezes pratica actos e acções que são absolutamente condenáveis e, neste caso das ONGs, apropriar-se de recursos que se destinam a minorar a fome e o sofrimento de milhões de seres humanos em todo o mundo, é de facto a demonstração do mais miserável e vergonhoso carácter humano.
Todas os maus exemplos existem e continuarão a existir até ao juízo final. Porém, não contribuir para minorar tanta carência e desumanidade no mundo, penso não ser a melhor atitude de uma pessoa de bem que se condoi com as notícias que todos os dias e a toda a hora nos informam do sofrimento e da doença e da fome de milhões de pessoas.
E não é uma boa atitude porquê? Todo o ser humano é dotado de inteligência para poder destrinçar o que é bom ou mau. Nesse sentido, cada um é responsável pelos actos e atitudes que pratica na sua vida. Na sequência deste raciocínio, cada um deve preocupar-se consigo próprio e fazer o que está certo, sem se preocupar com aquilo que os outros fazem porque, não tenham dúvidas, quem pratica as más acções é responsável por elas e a sua vida pessoal há-de ter o seu reflexo.
Por isso, escudarmo-nos na desculpa de não contribuir porque achamos que a nossa contribuição não vai ser bem utilizada, é uma forma habilidosa de tentarmos desculpar-nos da nossa insensibilidade perante o sofrimento dos outros.
Não se desculpe, faça o que deve ser feito.